quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

ROTAS ALTERNATIVAS

Ontem, quando regressávamos de Vitória Anésia e eu num táxi, conversávamos a respeito dos problemas de trânsito tornados frequentemente difíceis para se chegar a Vitória ou para atravessá-la, para quem procede do continente, tanto do sul como do oeste. O taxista disse-nos que imagina a construção de elevado, partindo de Cariacica, passando sobre a baía de Vitória, atingindo o Morro do Quadro, dali se bipartindo paralelamente à Rodovia Serafim Derenze, chegando ao bairro Andorinhas, nas proximidades da ponte da passagem ou, contornado pela direita sobre a cidade alta, seguido pelo Morro do Romão, Morro do Macaco, descendo em Taboazeiro para acessar a Avenida Maruípe. Tanto no trajeto paralelo à rodovia Serafim Derenze como nas montanhas frontais à cidade de Vitória, os trajetos seriam rápidos e ofereceriam visões deslumbrantes, quer de Vitória, sua baía, bairros de Jucutuquara, Bento Ferreira, Bairro de Lurdes, quer de outros, enquanto o ramal oposto ofereceria magnífica vista dos manguezais circundantes, das montanhas do Mestre Álvaro e as distantes situadas nos municípios de Serra e de Santa Leopoldina. Essas vias dariam celeridade ao trânsito e mostrariam outras faces de Vitória, não vistas atualmente.
Mas, nos noticiários, ora na mídia escrita, ora na televisiva, comenta-se a existência de projetos que vão desde a construção da quarta ponte, ou a travessia da baía por túnel subaquático. Também existe a possibilidade da construção de ponte sobre o estuário do Rio Santa Maria da Vitória, visando caminho curto entre Vitória e Cariacica.
Vê-se, por esta reflexão feita por gente do povo, a existência de sugestões diversas para o problema único – o caótico trânsito de Vitória e demais cidades que compõem a região metropolitana. Há, ainda, a variável do acelerado crescimento de Vitória que alcança crescimento econômico jamais visto nesta Terra.

QUE CALOR II!

E, o calor continua... Um “céu de brigadeiro”, completamente límpido, sol brilhando o tempo todo, com temperaturas se aproximando dos 40 graus. Este é o nosso quadro climático atual.
Fica difícil para sair-se às ruas, mesmo com a cabeça protegida por bonés ou chapéus, a intensidade da luz solar causa grande desconforto, mas tudo piora a partir das dez horas, atingindo o ápice no período que vai das 12 às quatorze horas – lapso de tempo em que a gradação dos raios ultra violeta atinge o nível 14; depois o astro rei brilha intensamente até às dezesseis horas ou mais... Onde já se viu? Muitas pessoas dizem estar protegidas com bloqueadores de raios solares; fazem-no a conselho dos médicos dermatologistas para que não danifiquem a pele e não a exponham a radiações, capazes de provocar cânceres de pele, especialmente do terrível melanoma.
Antigamente, não sei se também aqui na cidade grande o costume de usar guardas sóis, era coisa comum. Lá no interior onde a gente morava, quando chovia, chamavam-nos de guarda-chuvas e para isso é que serviam. Hoje, não sei se é verdadeiro, já não se vêm pessoas utilizando guardas sois. Será porque se perde a elegância pelo preço de expor-se a saúde? De qualquer forma, sugiro que senhoras e senhoritas, no momento que caminham, abram suas bolsas e retirem suas sombrinhas para se tornarem guardas sois. Aos Senhores, rapazes e adolescentes, que portem seus guarda-chuvas e façam deles, pelo uso, guardas sois. Tenho certeza que, embora as pessoas percam um pouco da elegância, sua saúde sairá ganhadora.
Uma notícia alentadora foi transmitida no programa diário “Globo Rural”, de hoje, dando conta que choverá significativamente no Estado do Espírito Santo nos próximos seis dias. Aguardemos para ver, quanto ao calor, nada se comentou. Certamente permanecerá tal como vem ocorrendo nesses quatro últimos meses. E, segundo nossa experiência, o mês de março é o mais quente do ano, rentando-nos, ainda, mais de um mês de muito calor. Depois que venha o inverno, quem sabe se, também, além de temperaturas amenas traga a chuva aguardada.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

QUE CALOR!

Se não bastasse esses quase quatro meses sem chuvas neste Estado do Espírito Santo, o sol continua escaldante, parecendo que enxuga todos os líquidos das plantas, torna a terra seca e esturricada. Até onde este clima nos levará?
Quando aparecem nuvens, indicando que a umidade relativa do ar se eleva, aumenta a pressão que ao vapor se dá como causa, a sensação de quentura é, ainda, maior.
Vê-se que gramados, inicialmente amarelados, exibem agora, tons escuros do marrom e não deve tardar que o colorido se mude unicamente pela cor da terra nua. Nos locais em que nas montanhas pedregosas, a camada de terra é menos profunda, árvores e relva têm sorte idêntica aos gramados e se, acidentalmente, alguém jogar uma ponta de cigarro ou, mesmo o reflexo metálico de uma lata qualquer, incidindo sobre essa vegetação seca, incêndios e mais incêndios poderão acontecer – fato comum pelo mundo afora - quando ocorrem situações semelhantes, às vezes não sendo raro, as labaredas atingirem habitações próximas.
Mas se toda essa secura e o calor escaldante, exacerbados, geram desconforto, incerteza e mal-estar e presságio de que venha a faltar água, podendo chegar a ponto de secar nossas torneiras...
Outra mazela dessa anomalia climática resulta, também pela falta de água, na escassez de produção de vegetais e animais no campo. Além da falta de água, faltarão, também, os alimentos indispensáveis à manutenção da vida de animais e de seres humanos. Claro que isso é óbvio; mas, na medida que o mal avança, não faltam motivos para inquietação.
Mas, por outro lado, se vierem acontecer chuvas na intensidade, conforme ocorrido nos estados da região centro sul, poderão acarretar ao Estado do Espírito Santo, grandes prejuízos decorrentes de deslizamentos de terras, chuvas de ganizo, inundações, soterramento de habitações perdas de vidas e de safras. Não se pode estar seguro neste município de Vila Velha, se o Rio Jucu vier a receber águas dos seus afluentes originários das montanhas, proporcionais àquelas ocorridas no sul. Esta cidade poderá ser atingida por inundação calamitosa.
Por enquanto, convive-se com falta de precipitações pluviométricas e com todo esse calor!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Meu fusca verde

Não foi apenas um; foram dois. O primeiro ano e modelo de fabricação 1972, o segundo, modelo 1976, ano de fabricação 1975. Dois primores de carros!
Durante essa madrugada, eu tentava reparar esse meu segundo fusca em plena rua Henrique Moscoso, em frente ao Edifício Bevilácqua, aonde ainda residíamos. Havia retirado várias peças e a defeituosa era o motor de partida e, assim, o carro só funcionava, quando empurrado com marcha engatada. Assim que atingisse alguma velocidade, tirava-se o pé da embreagem e, depois de alguns solavancos, o motor funcionava.
Nisso chega meu colega de duas escolas: no Colégio Comercial Thelmo Motha Costa, concluímos o curso de técnico em contabilidade e na Faculdade de Ciências Econômicas de Colatina, o curso de ciências contábeis, ambas as escolas localizavam-se na cidade de Colatina, às margens do Rio Doce. Isso ocorreu no período de 1973 a 1977, última vez que vi Dante Lopes de Faria, meu colega de estudos e funcionário do Banco do Brasil, servindo na Agência em Colatina. Dante chegou, nem tivemos tempo para cumprimentarmo-nos e ele já se propunha me auxiliar. Para fazer o primeiro teste, Dante tomou a direção do carro, enquanto eu o empurrava para que ganhasse velocidade. Assim aconteceu: Dante soltou a embreagem tal qual disse acima e o carro deu alguns tropeços, sua máquina funcionou e meu amigo e colega conduziu o veículo, subindo pequena ladeira da rua Inácio Higino e tomou a Av. Chanpagnat, ambas pela contramão e rumou ao centro de Vila Velha até sumir pela Av. Jerônimo Monteiro, também na contramão e sumiu não sei para onde.
Nessa rua Inácio Higino havia, pelo menos, três oficinas mecânicas, onde avistei dois fuscas verdes idênticos ao meu. Chegando perto, percebia que esses carros estavam completamente avariados, sem as mínimas condições de tráfego: suas latarias estavam completamente tomadas pela ferrugem – verdadeiras sucatas é que eram!
Permaneci na Chanpagnat por considerável tempo, até que, vi meu fusca chegando por essa avenida, desta vez, na mão correta. O carro estava repleto de crianças, filhos e netos do amigo. Vinha a baixa velocidade e, quando chegou onde eu estava, percebi que o motor do auto estava apagado. Dante o empurrava e, assim que me viu, parou e explicou-me os motivos da demora. Dos filhos de Dante e dona Ivone, estavam embarcados no meu fusca Breno e Daniela, seus filhos, netos de Dante, só agora é que os conheci.
Pois é, eu devia fazer meu carro funcionar, porque, no mais tardar, às 19 horas deveria estar na FAESA para ministrar aulas durante o período noturno. Não dar a devida atenção a esse colega, há tanto tempo ausente, não poderia fazê-lo, mas o melhor é que tal fusca fora vendido, creio, há aproximadamente 30 anos e, desta vez, nem permaneci com meu colega, nem era professor na FAESA e, muito menos, ainda residia no prédio Edifício Bevilácqua; nada disso existiu. Sim existiu, mas apenas nas minhas fantasias das madrugadas.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

ESTAÇÃO DO SOL

Alguém conhece estação climática com este nome? E estação do Sol Quente? Pois bem, estamos no quarto mês com o sol brilhando desde o momento que amanhece ao que anoitece, desde o dia primeiro de novembro do ano passado, ou seja, tivemos a última chuva significativa no dia 31 de outubro, depois disso, o sol brilhou implacavelmente dia, após dia, da manhã à noite durante quarenta e cinco dias, um sol quente, parecendo torrar tudo.
A vizinha cidade de Guarapari está às voltas com o abastecimento de água neste carnaval, fazendo racionamento, pois o “Jabuti”, principal manancial, está secando e pelos presságios que sinto, a continuar este estado de secura as próximas cidades a sofrerem desabastecimento serão Vila Velha, Cariacica, Vitória e Serra e outras pelo interior afora.
A perdurar esta situação por mais quinze dias poderemos abrir torneiras e delas nada pingar!
Com todo este calor, consumo exacerbado, lençóis freáticos nos limites de suas reservas, alto consumo na irrigação de plantas agrícolas, temos certeza, estamos diante do próximo ponto de exaustão, tando das águas que abastecem nossas residências, quanto aquelas que mitigam a sede dos nossos animais e culturas agrícolas produtoras de alimentos.
Se essas chuvas, tanto esperadas, tardarem a chegar, esses presságios, coisas que temo, se tornarão realidade.
Agora pergunto: nosso Estado já está preparado para enfrentar uma calamitosa situação como esta, caso venha perdurar por longo tempo?
Parece exagero o que falo; não afirmo, nem profetizo nada. São meras hipóteses para as quais, torço para que nada disso ocorra.
Enquanto sofremos a escassez de chuvas nos expondo aos riscos de todos os efeitos da seca; de forma cruel, os excessos da pluviosidade, notoriamente na maioria dos estados do centro sul do Brasil, arrastava pontes, casas, pessoas; provocava deslizamentos soterrando casas e pessoas; destruía plantações e inviabilizava plantios e colheitas de alimentos que farão falta nas mesas de muitas pessoas – lá poderíamos chamar esse tempo de “estação das chuvas”, dos temporais, das inundações e dos deslizamentos de barreiras. Isso nos dá a certeza de que, neste ano, vivemos em extremos opostos. Isso tudo poderia ser consequência do desiquilíbrio da natureza, causado pelo aquecimento global?
Há, ainda, um agravante: se, nos próximos vinte anos a temperatura do planeta tiver aumento de mais de dois graus , poderemos assistir ao aumento do nível dos oceanos, rigorosas tempestades secas, chuvas diluviais, extinção de espécimes animais e vegetais indispensáveis na cadeia alimentar de todas as espécies vivas e outros consequências, ainda não previsíveis.
Tudo isto, quando divulgado, nos deixa a impressão de que seriam coisas previsíveis e ficcionais para algum planeta do longínquo universo. Não. Isto são advertências que cientistas fazem aos humanos habitantes do planeta Terra.

sábado, 30 de janeiro de 2010

ASSISTÊNCIA À SAÚDE

Ao fazer uma retrospectiva da assistência à saúde nos últimoS sessenta anos, torna-se possível analisar os avanços e retrocessos havidos com a saúde dos cidadãos brasileiros. Por exemplo: na década de 1950, existiam três segmentos de clientes: a elite que pagava, e podia ter assistência médica inteiramente particular, enquanto a classe média, não podia, mas utilizava e pagava por isso, sacrificando muitas vezes seu patrimônio pessoal, desfazendo-se das reservas, alienando bens imóveis, móveis, joias e todas e quaisquer reservas, porventura existentes. Finalmente havia a classe dos indigentes, estes tinham o amparo do Estado e recebiam atendimentos digno da sua situação.
Foi nessa época em que os institutos de previdência, recém criados, priorizavam grupos de segurados de segmentos privilegiados com massa salarial mais significativa, o que fortalecia seus organismos previdenciários, chegando a ponto de possuírem planos de assistência médica abrangente e semelhante aos da medicina particular. Exemplo disso, a assistência médica proporcionada aos servidores públicos, uma casta de privilegiados! Mas nem todos os institutos de previdência dispunham de bom atendimento. Exceções eram o IPASE e o IAPI, este, inclusive, serviu de modelo para a unificação que viria acontecer.
Em 1967, com a unificação da previdência social, a assistência à saúde foi estendida a todos os segurados da previdência, tanto para empregados como para trabalhadores autônomos e criada figura dos segurados facultativos, cujo interesse se voltava para o benefício imediato: a assistência à saúde, feita de forma generosa, porque havia recursos, pois todos procuravam filiar-se à previdência com o intuito de beneficiar-se de assistência médica capaz de superar a qualidade dos atendimentos dos atuais planos de assistência médica.
Isso funcionou perfeitamente até os dois primeiros anos da década de 1970. Nessa época, o sistema previdenciário público conseguiu arrecadar recursos, a ponto de contar com superávit durante alguns exercícios, mas havia descontentamento da classe médica, reclamando melhores salários e oportunidade de gerenciar os recursos específicos, porque se sentiam inferiorizados ao serem apenas executores da medicina, enquanto as tarefas de gerência se faziam por administradores não médicos. Tanto pressionaram que conseguiram a criação do SINPAS (Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social), em que a assistência médica passou a ser gerida por profissionais médicos (INAMPS), porém limitando-se às dotações fixas alocadas pela previdência mais os recursos obtidos diretamente da União de vez que a assistência médica acabava de ser universalizada, passando a ser utilizada tanto por contribuintes e por não contribuintes, inclusive indigentes e trabalhadores rurais, agora assistidos.
No início da década de 1960, tivemos problema de saúde grave na família e todos os atendimentos médicos se faziam a altos custos; não éramos indigentes, pois possuíamos um minifúndio rural, gerando capacidade de classe média – mais prejudicada, pois tinha que arcar com gastos idênticos aos das classes economicamente privilegiadas, pois não podíamos ser classificados como indigentes e isso consumiu praticamente todos os pertences da família. É verdade que a população indigente tinha assistência, mas não tinha como saber, quando pacientes estivessem internados se, realmente, eles tinham atendimento adequado.
A partir da década de 1980, já se podia ver a decadência do INAMPS, cuja estrutura se tornara insuficiente e incapaz de manter a dinâmica de universo tão extenso de beneficiários. A população previdenciária reclamava retorno aos moldes de atendimento que se acostumara nas décadas anteriores, mas a estrutura se enfraquecia na medida em que a clientela crescia, tanto que não havia ambulatórios, laboratórios e nem leitos hospitalares para tamanha demanda. Isso fazia com que uma demanda fosse sentida a ponto de as instituições financeiras incrementarem o aliciamento dessa população alvo para prestar-lhe assistência diferenciada. Também os profissionais de medicina cuidaram de oferecer condições de atendimento através de planos de saúde, que se criavam e se multiplicavam. Isso viria proporcionar e garantir rendas aos trabalhadores do segmento médico, inclusive com a criação de hospitais modernos e bem equipados. As cooperativas conjugadas de médicos cooperados e, com remuneração garantida pelos usuários do sistema, manteriam um tipo de assistência diferenciada daquela dispensada pelo INAMPS e, depois, o governo praticou descentralização dos serviços, ficando encarregados da prestação da assistência e gestão dos recursos usando estruturas de estados e municípios – assim foi criado o SUS, Sistema Único de Saúde. Implantado esse sistema, o INPAMPS foi extinto e os recursos físicos e humanos transferidos para as secretarias estaduais e municipais de saúde. Mas um atendimento ideal parece, ainda, longe das expectativas dos milhares, que enfrenta filas quilométricas nos postos ambulatórias e pacientes aguardam tratamento em corredores ou, às vezes, ocupando as macas que os removeram de localidades longínquas à procura de atendimento médico.
E hoje? Há quantas anda a assistência à saúde?
O fracasso do modelo de gestão de recursos para assistir todos os brasileiros, logo motivou grupos com interesse capitalista, que programaram seguros-saúde geralmente oferecidos por instituições bancárias baseadas nos riscos atuariais para fixarem preços de prêmios, de modo a cobrir os sinistros, mas paralelamente, as organizações médicas instituíram planos de assistência à saúde baseados na partilha dos custos, criando figuras de profissionais médicos cooperados e contribuintes assistidos.
A demagogia dos homens públicos cria sérios embaraços ao bom funcionamento desses planos de saúde. Há dois segmentos que se vêem prejudicados: o grupo dos prestadores de serviços (mal remunerados) e os assistidos que pagam a conta. Não posso garantir, mas devem existir pessoas que tiram proveito dessa situação.
Há, ainda, outro fator em jogo – a progressão direta de valor das contribuições aliado a idade do assistido. Que a idade é fator de agravamento da saúde e, por conseguinte, aumento das despesas, que esbarra na falta de recursos é um axioma. Isto agrava o problema: os que mais necessitam de assistência são que tem menor capacidade contributiva. Quando isso ocorre, muitos são os que abandonam os planos e passam a engrossar as filas do Sistema Único de Saúde. O Estado impõe aos planos, atendimentos obrigatórios mínimos, que, por sua vez, sacrifica a renda dos médicos prestadores de serviços – um ciclo tipo bola de neve. Pelo que se pode observar a solução do problema da assistência médica anda distante de solução a vista.
Nada do que eu disse, posso comprovar com números; tudo não passa de uma reflexão que faço com a utilização, exclusivamente, de memórias, um tipo de história que fica a reclamar dados. Quem queira se aprofundar, além da reflexão, que junte comprovações estatísticas e opiniões de especialistas. Fica aí minha sugestão.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

PRESSÁGIOS

Que eu me lembre, nunca vi período tão longo, como este, sem chuvas em plena estação das águas para nós, aqui no Estado do Espírito Santo, nem temperaturas tão elevadas por tanto tempo. Chegamos por várias vezes, desde o início do mês de novembro, a temperaturas de 36 graus Celsius, por várias vezes. A última chuva normal ocorreu no dia 31 de outubro, data que não me permito esquecer, pois havia programado o lançamento do livro “Memórias III – 30 anos em Vila Velha, evento que se realizou, mesmo prejudicado pela chuva torrencial caída nesse dia.
Ninguém pode imaginar que, com tanto tempo sem chuvas, com perspectiva de este processo permanecer ainda por tempo indeterminado, conforme se vê pelas previsões meteorológicas, as águas dos nossos pequenos rios, responsáveis pelo suprimento das cidades capixabas, estão próximas de colapso, também para o uso de irrigação na agricultura, para a produção de energia elétrica das usinas hidroelétricas e, até mesmo, a água que abastece nossas torneiras. Apesar de todas as evidências, reina silêncio sobre o assunto, coisa negativa que pode sufocar o ufanismo do crescimento econômico do Estado.
Pequenas cidades como Santa Teresa, São Roque do Canaã, Itarana, Itaguaçu e a cidade litorânea de Guarapari (essas citadas como exemplo, pois outras existem, embora não mencionadas), não tardarão a anunciar a escassez do precioso líquido. A esperança de provisões mínimas das nascentes formadoras do nosso sistema hídrico já se frustra, quando atingimos o terceiro decêndio de janeiro, com altas temperaturas e seca implacável permanece assolando o Estado do Espírito Santo, boa parte do leste e do nordeste de Minas grais, de onde provêm as águas que formam a bacia do Rio Doce, vital para toda essa região. Esta, a primeira parte do problema; outra será vista a seguir.
Tempos passados um político de Vila Velha conclamava a municipalidade a envidar trabalho para reforçar o dique existente ao lado do Rio Jucu, visando proteção para sequelas resultantes de cheias maiores que tal rio pudesse sofrer. Felizmente, os reforços foram providenciados e a proteção da margem ao lado de Vila Velha se manteve eficaz durante cheias ocorridas posteriormente. Os que vemos na região centro sul do Brasil e parte do sudeste, aonde chuvas, além de intensas, teimam em permanecer por meses e mais meses, levando destruição de imóveis, plantações e causando elevado número de vítimas fatais.
Nosso temor justiça-se: Se chuvas copiosas quanto as que vêm ocorrendo no Sul do Brasil, vierem ocorrer, na mesma intensidade, nas cabeceiras dos rios que compõem o sistema hidrográfico do Estado do Espírito Santo, estará instalado um processo calamitoso de grandes proporções. Não será surpresa se o Rio Jucu inundar grandes áreas às suas margens, incluindo a cidade de Vila Velha. Justifico o presságio e meu estado de apreensão, devidos aos acontecimentos catastróficos da região centro sul, acontecendo atualmente.
Resta-nos aguardar que esses presságios não se materializem!