sábado, 25 de outubro de 2008

MEU SEQÜESTRO


De repente me vi cercado por vários garotos de rua, vestidos com roupas sujas, daquelas que nunca viram água e sabão. O destino desse vestuário será, inexoravelmente, o lixo. Havia ao todo cerca de cinco ou mais dessas crianças que dividem as ruas entre si, abordando transeuntes e lhes pedido algum trocado. Corri a mão no bolso do lado direito de minha calça e distribuí todas as moedinhas que alcancei. Pareciam satisfeitos, demonstrando gestos amistosos e, com isso, resolvi conversar como grupo, visando saber como retiram o sustento nas ruas, onde moram e de que vivem suas famílias; se freqüentam escolas, se, além disso, que ganham, têm outras rendas oriundas de algum tipo de trabalho. Enfim, eu fazia uma investigação completa. Não sei dizer por quanto tempo estivemos conversando, acredito que por algumas horas.
Já me preparava para sair e chegaram mais três habitantes de rua, garotos maiores, certamente adolescentes. Dois deles vestiam-se com camisas do flamengo e exibiam nas cabeças daquelas tocas feitas com velhas meias femininas, o outro, igualmente aos primeiros, vestia-se de roupa suja: uma camisa de malha tão grande que parecia mais ser um vestido, nem se podia ver se usasse bermuda. Com a chegada dos novos menores, nossa conversa evoluía para durar mais tempo. Com certeza, eu teria mais respostas às minhas indagações e tudo se parecia que aquele encontro permaneceria no mesmo clima de entendimento amigável. Enganei-me! Esses recém chegados, fazendo gesto brusco empenharam armas ameaçadoras e avisaram que aquilo era um assalto. Tentei lhes oferecer algum dinheiro; eles, porém, assoviaram e logo dois meliantes adultos me colocaram vendas e, sob a ameaça de armas de fogo que me cutucavam as costelas, enquanto dois me guiavam pelos braços e me ordenavam para que lhes obedecesse, que ficasse “bonzinho”, senão, ali mesmo me executariam.
De olhos vendados e sob as constantes ameaças tangíveis, eu, se quisesse permanecer vivo, o melhor que faria era mesmo obedecer. Enquanto eu era levado, não sei para onde, ouvi a seguinte conversa: “- Gente, hoje nóis tivemo sorte: pegamos peixe grande! A gente leva o coroa para lá, telefona para a gente dele, pedindo o resgate e tem que ser uma grana preta, esse véio é daqueles que anda malado. Quando nóis chegá lá, a gente conversa prá vê quanto a gente pede prá soltar o homi”.
Depois do que ouvi e sentindo aqueles trabucos me cutucando as costelas, eu não tinha dúvidas. Estava mesmo seqüestrado e havia no bando gente que eu só ouvia falar: deviam ser criminosos profissionais e de alta periculosidade. Mas, numa situação dessas, o que se deve fazer? Melhor, mesmo, era fazer aquilo que fazem pessoas que têm juízo, não tinha dúvidas: obedecer.
Desse momento em diante nada mais ouvi, pois me jogaram num porta malas de um veículo e saíram em alta velocidade. Para onde me levavam? A partir daí, imaginava o que poderia me acontecer: Será que imaginavam realmente que eu fosse pessoa de posses? Ou teriam se equivocado e me tomado como refém, imaginando que eu fosse outra pessoa? Não tendo como pagar um resgate de quantia exorbitante, qual seria meu destino? Você, leitor, já se imaginou metido numa encrenca dessas?
O ronco do motor de um carro que, certamente, tinha perfurações no silencioso, seria capaz de ruído como esse que eu ouvia e mais: cada buraco, cada ressalto na pista, eu sofria toda a sorte de pancadas. Tudo isso me deixava, a cada momento, mais fraco, mais impotente e mais incerto do meu destino. Depois de algumas horas, que me pareceram um século, finalmente aquele carro, que mais se parecia com instrumento de suplício, parou. Ouvi o toque cadenciado da buzina, como se estivesse produzindo sinais em código. Ouvi pessoas conversando e tive certeza: aquelas vozes eram estranhas; nada se parecendo com a fala dos garotos, nem dos primeiros e nem daqueles que me renderam. Imaginei que a turma era de tal forma organizada, que em cada etapa, havia o revezamento das equipes – certamente de uma grande quadrilha, que tinha na ponta menores infratores, mantidos e organizados por uma entidade bem estruturada.
Pensando bem, a incerteza tomava conta de mim. Será que não teriam cometido equívoco, seqüestrando pessoa errada, que estava no local e na hora errada? Mas se o escolhido tivesse, mesmo, sido eu, como minha família faria para conduzir negociações com os seqüestradores? Dependendo do valor do resgate, não teriam como juntar recursos, pois nossas posses mal poderiam cobrir um resgate, a menos que fosse dividido em suaves prestações e, ainda, utilizando cartão de crédito.
Depois de alguns minutos, que me pareceram uma eternidade, fui, ainda com olhos vendados, conduzido para o interior de um imóvel, que exalava odor de coisas emboloradas, provavelmente sem ventilação. Ouvi, em seguida: “ - Deixem nossa encomenda a sós e deixem que retire a venda dos olhos”. Quando abri os olhos percebi a claridade que entrava pelas frestas das persianas do nosso quarto e Anésia dizia: “ – Lembre-se que hoje é sábado e nosso primeiro compromisso e ir à feira de produtos orgânicos”. Felizmente nada acontecera nesta madrugada, exceto esse pequeno pesadelo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

NOVAMENTE AS COTAS RACIAIS...


As cores servem como parâmetro para julgar aparências? Descendentes de povos de raça negra devem ser privilegiados nos concursos? Por causa da cor da pele ou por descenderem de raça inferior? Existe alguma raça que deva ser considerada superior? E quem é miscigenado com raças branca, negra, amarela e vermelha? Que raça teria sorte de ser privilegiada? Acaso o sangue que lhes corre nas veias tem outra cor que não seja a vermelha?
Que fique longe de mim o preconceito de raça; qualquer que seja a descendência. Segundo penso, uma só coisa deveria privilegiar a todos: a competência demonstrada na eficiência, no aproveitamento do aprendizado, enfim, na capacidade de melhor fazer, de melhor desempenhar e alcançar melhores resultados.
O princípio da eqüidade, que faz o julgamento ser imparcial, que dá a todos o direito de serem iguais perante a lei, sem distinção de raça, de classe social, de credo religioso, que privilegiasse a todos estritamente com o princípio consagrado da justiça.
A criação de cotas nos vestibulares, nos concursos para provimento de cargos públicos, nada mais me parece do que atos de demagogia para demonstrar-se a favor a privilégios corporativistas de castas raciais, de castas religiosas e de castas sociais. Em nome de privilégio, na realidade, quem aceita o favor de cotas excludentes sinaliza concordância com situação de inferioridade. Esses preitos, de certo modo, derivam do desejo de premiar hoje quem no passado sofreu a exclusão como pessoa, causada pela segregação do escravagismo? Aceitar, hoje, o regime de cotas, mesmo para quem delas se beneficie, é continuar compactuando com a inferioridade dessas ou daquela raça. Mais excludente é aquele que aceita favores que o julgam, de certo modo, inferior. Inferior é aquele que aceita o rótulo.
Existe preceito que determina proteção ao aproveitamento dos deficientes, ou seja, daqueles que têm necessidades especiais, visando sua integração como pessoas normais no trabalho, que tenham oportunidades de ascensão social; às vezes subestimando capacidades superiores às dos indivíduos ditos normais. Com freqüência surgem como expoentes nas artes e no trabalho, não só demonstrando capacidade idêntica e, não raro, superiores, executando coisas com perfeição inimaginável. Mas, entendo que tal reserva é justa, não criando nenhum privilégio; apenas compensando deficiências impostas pela natureza.
Tudo o que eu disse acima, tem como finalidade fazer com que as pessoas se julguem e se tratem com igualdade, dêm oportunidades idênticas, mantendo sempre o sentido da justiça, que não privilegia nem exclui a quem quer que seja. O que me parece, quando reflito sobre esse tema de cotas, é a existência de intenção velada da manutenção de idéias conflitantes entre os grupos raciais diversos, simplesmente por demagogia política. Demagogia quando dizem ser favoráveis a privilégios e quando demonstram compensar deficiências raciais com o favor de cotas que tenham como parâmetro essa ou aquela descendência racial. Isto não é verdade porque somos todos iguais perante a lei! Ou não somos?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

ATROPELAMENTOS

Praticamente em todos os dias, os noticiários falados, escritos e televisivos estampam notícias de pessoas atropeladas nas ruas da Grande Vitória e nas vias federais e estaduais que atravessam vilas, povoados e cidades de norte a sul do Estado. E esses eventos atraem sempre multidões de curiosos, enquanto se aguardam por socorro e remoção dessas vítimas, às vezes, fatais. São pequenos carros, autos do transporte coletivo, composições férreas, carretas e motocicletas, que causam esses atropelamentos de pessoas pedestres, motoqueiros e de animais (cães, gatos, muares e eqüinos).
De quem é a maior responsabilidade por esses sinistros? Pedestres idosos e, também, quaisquer outros desatentos, contribuindo, de forma efetiva, os excessos de velocidade e igualmente desatenção dos motoristas condutores.
Quais seriam as causas de tamanha desatenção? Os idosos, embora atentos, têm três causas a serem imputadas: falta de acuidade visual, principalmente aquela que permite calcular a distância em extensão, a audição, freqüentemente diminuída nas faixas etárias mais avançadas e a lentidão da caminhada distorcida entre o que a mente imagina, comparada com a velocidade real diminuída, agravada pela idade. Imagine um surdo, enxergando pouco e caminhando lento, tem três possibilidades de ser colhido por algum veiculo em movimento. Bom até aqui, falou-se especificamente dos idosos exponencialmente vítimas. Mas há indivíduos de idade adulta, jovens adolescentes e crianças, engrossando as estatísticas.
Agora, veja-se o que ocorre com os atropeladores: motoristas de coletivos cansados pelas longas jornadas de trabalho, recursos escassos para honrar compromissos, enfermidades na família, desagregação familiar, sentimento de baixa estima, tornam os indivíduos desatentos e dispersivos. Todos esses fatores associados podem levar à falta de atenção, que quase sempre oferece graves riscos de sinistros, tais como acidentes e atropelamentos. Há, ainda, a imperícia de condutores, quer não executando o trabalho como recomendam as técnicas ou negligenciando, abusam da velocidade regulamentar. Pode ainda existir o agravante do consumo de bebidas alcoólicas quando dirigem. Embora a causa seja rara, não se pode descartar a ocorrência de falha mecânica (quebra de freios e de direção), embora raros.
As notícias recentes deixam a população apreensiva, pois qualquer um de nós, especialmente se estiver na faixa da terceira idade. Portando todo cuidado deve ser tomado, quando qualquer um de nós pedestres, tivermos que dividir a rua com veículos automotores, tenhamos cuidado! E a vocês motoristas e motociclistas: sejam prudentes! Preservem a vida dos pedestres!

CIÚME MÓRBIDO

O que leva uma garota assumir um namoro, com apenas doze anos de idade? A culpa seria da libido? Aquela propriedade que seres se sentem atraídos por indivíduos do sexo oposto, apenas. Lindemberg, com dezessete anos, adolescente ainda imaturo, coisa que nos indivíduos do sexo masculino, se amadurece pouco mais arde. Nesse momento, esse namoro nada mais era do que atração física causada, certamente, pela forte libido sentida por ambos.
Eloá, aos quinze anos, experimentando as tendências possessivas do parceiro, em atitude amadurecida, já sabendo distinguir seus verdadeiros anseios, seus verdadeiros objetivos, pôs fim a um relacionamento de fantasias infantis de quando tinha apenas doze anos, corpo de mulher e mente de criança. Que se pode pensar sobre o estado psicológico de alguma menina nessa idade?
Hoje, Lindemberg, aos vinte e dois anos, assassino atirado a um cárcere repleto dos mais experientes meliantes; Eloá sepultada aos quinze anos, num local de onde apenas seu espírito liberto experimenta a eternidade.
Destino de descendentes de famílias que experimentaram as agruras da incerteza de quem migrou da aridez da terra nordestina e, aqui, prematuramente, Lindenberg, transformado agora o assassino da pessoa por quem nutria amor mórbido e Eloá, de origem idêntica, parte para todo o sempre. Seu espírito de menina adolescente permanecerá na mente de milhões de brasileiros, comovidos pela crueldade de como lhe foi subtraída a vida, uma vida de uma nada mais que menina. Nada mais poderá interferir no seu destino; quanto ao seu algoz Lindemberg, aos vinte e dois anos, apenas ingressando na vida adulta, o futuro próximo lhe reserva o castigo da privação da liberdade física e o pior de todos: a prisão no interior da consciência, que o torturará por tantos quantos forem os dias da sua vida. Será ele capaz de suportar tamanha culpa, inclusive de ter subtraído a vida de quem poderia fazê-lo feliz?
A mãe de Eloá, publicamente, disse ter perdoado ao assassino de sua filha; esse perdão, embora verdadeiro, não redime Lindenberg da culpa. Pela lei dos homens será julgado e condenado; quando à Lei de Deus, só a Ele cabe saber e conhecer se terá perdão.
E você, leitor, qual seu julgamento para esse caso?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

COMO COMBATER O SEDENTARISMO MENTAL?

Sedentarismo mental! Isto existe? Ou será mais uma das invenções daqueles que não tem o que fazer? Pois, fiquem sabendo que eu acredito mesmo nisso e noutras coisas que essa gente pensante dita como coisa certa e axiomática. São excentricidades para ocupar a mente dos menos avisados? Ou é coisa certa e inconteste. Para início de conversa, se você se aposentou, seja lá por que razão, com certeza deverá saber o que é “SEDENTARIMO MENTAL” e se você não tomar atitudes, será atropelado pela forma mais grave – a inércia que o levará a um estado letárgico irreversível – uma forma doentia e de reversão difícil, mas não impossível. Falo do assunto com experiência própria:
Retornando ao início da vida, você já percebeu como são velozes os espermatozóides? O combate à inércia, que pode caracterizar o sedentarismo físico, pode ser combatido com movimentos corpóreos, feitos regularmente. Disse regularmente, ou seja, com freqüência. Por analogia, quando alguém se aposenta e entende que descanso inclui inércia mental e se desliga de pensar, de buscar soluções. É o império da “lei do menor esforço”, que norteava “Jeca Tatu”, aquele personagem criado nas histórias infantis por Monteiro Lobato, o mesmo que criou próximo a Vila de “Tucanos” o “Sítio do Pica pau Amarelo”, que tinha nessa lei, o nome para designar o ócio de que o personagem era portador. Bom, já alcançamos conhecimento do que significa sedentarismo mental. Combatê-lo passa por ações de raciocinar, calcular, jogar cartas, fazer palavras cruzadas, ler e escrever. Combatendo essa inércia, chamada sedentarismo mental, na ativação das comunicações inter neuronais, haverá chances de prolongamento da vida e das próprias qualidades. Embora inexistindo provas, há quem garanta que isso ajude a retardar um mal, que ronda os idosos – o Mal de Alzeimer. Verdade ou mito, uma coisa é certa, as atividades físicas e mentais trazem melhor qualidade de vida nesta que pode ser chamada de “a melhor idade”.

sábado, 11 de outubro de 2008

O CAVALINHO QUE FALAVA

Tudo se inicia no morro do cruzamento, em Jucutuquara, de onde subi com meu fusca por ruas íngremes, escadas e alguns obstáculos, tornados intransponíveis ao meu “possante”. Quando me faltava via trafegável, tomava o carro nas costas e o atravessava de um lado a outro e de cima a baixo. Nesses momentos tinha a sorte de que o carro não representasse peso que não fosse suportável, ou eu é que desenvolvia força hercúlea. Mas aos trancos e barrancos cheguei ao alto num barraco de único cômodo, onde Antarinho e colegas faziam uma confraternização. Lá havia música, alimentos e bebidas, tanto alcoólicas como coquetéis isentos de álcool, refrigerantes e frutas. Serviram-me e eu pequei somente uvas rubis, uma variedade de frutos de tamanho acima do normal. Eu comia continuamente esses frutos e sentia o sabor do tanino, característico da casca e das sementes dessa variedade de uvas. Em determinado momento me sentia culpado por consumir generosa quantidade de carboidratos dessa fruta. Certamente minha glicemia deveria estar aumentada, fato que costumeiramente ocorre quando faço ingesta de frutas em quantidades generosas.
Depois de horas de festejos, alguns casais de jovens divertiam-se dançando dessas músicas ditas modernas, que tem sons carregados de decibéis, desses que nos fazem sentir como se ocorressem no interior do estômago. Coisas de jovens! Nossa época dessas festas, as músicas eram outras: na cidade os boleros, os foxes, os sambas, as valsas e, no interior, aqueles músicas ditas “caipiras”, ora executadas em sanfonas, ora em violas, violões, acompanhadas ao ritmo de pandeiros e triângulos metálicos.
Como sempre, não me importando com minha faixa etária, eu procurava dialogar com aqueles jovens, lembrando a Antarinho que atuei na FAESA, educandário de nível superior dirigido, administrado e de propriedade de sua família, tendo ele, também, freqüentado aulas em que eu, na condição de docente, ministrei, por algum tempo, em disciplinas de auditoria, contabilidade geral e de mercado de capitais. Mas Antário Filho indagou-me:
- Mas o professor continua sendo nosso parceiro na FAESA?
- Não. Respondi-lhe.
- Do jeito que o senhor gosta e tem jeito para a coisa, não posso crer que tenha abandonado as salas de aula!
- Pois é, Antário. Não tive outra opção. Algumas enfermidades me tornaram incapaz; não foi por falta de convites e oportunidades. Isso continua a me fazer parte, mesmo nos meus constantes sonhos: a sala de aula era algo prazeroso.
Eu continuava a consumir aquelas uvas deliciosas, e a festinha já sinalizavam finalizar, quando Antário me pediu um favor:
- Professor Idomar, não querendo abusar de sua boa vontade, eu poderia contar com um favor seu?
- Diga-me do que se trata, pois jamais deixaria de atender a um pedido seu, lembrando que seu pedido é uma ordem. Eu tenho dívidas de gratidão com doutor Antário, seu pai, com dona Valdete, sua mãe, enfim com todos vocês. Lembro-me que me deram trabalho e acreditaram em mim num momento especial de minha vida. Portanto, conte comigo.
- Professor, tenho aqui um cavalinho de minha especial estima. Só a uma pessoa como o senhor eu posso confiar essa criatura, que à noite, tem um alojamento especial próximo à Praça Misael Pena, no Parque Moscoso. Além de lhe ficar grato pelo favor, eu lhe pago sete reais pelo serviço.
- Antário, nada disso! Não posso lhe cobrar nada! Colocou-me o dinheiro no bolso e disse.
- Professor; não falemos mais nisso. Negócio combinado!
Peguei o cavalinho pelo cabresto e o conduzia do alto do Morro do Romão, chegando ao Morro da Fonte Grande, eu ouvi uma voz que nunca ouvira:
- Professor, eu sinto cansaço. Seria demais lhe pedir que me carregasse?
- Claro que não!
Tomei aquela criatura dócil nos braços e percebi que seu corpo tinha uma leveza especial, parecia flutuar. E ele me perguntava?
- Suporta bem meu peso?
- Que peso?
- Professor, nós acabamos de chegar ao Morro da Fonte Grande, temos que descer pela esquerda, se nós continuássemos rumando à direita chegaríamos a Santo Antônio.
Descemos à esquerda, conforme orientação do dócil cavalinho e já podíamos ver a proximidade da cidade alta de Vitória. Bastaria pequena caminhada e teríamos visão parcial do Parque Moscoso. Ante a proximidade do nosso destino, minha imaginação se fixava nos diálogos que fazia com essa criatura... Teria suas palavras, sua leveza, tanto de peso quanto de bons fluídos, algo de sobrenatural? Havia alguém se materializado neste ser para comunicar algo de importância de que eu não conseguisse entender. Lembrava-me de Antário Filho assassinado há alguns anos, meu aluno e filho de meus benfeitores e esse animal que falava comigo com tamanha sutileza, me tratando como se fosse alguém de espírito infantil, portador da inocência própria dos anjos.
Enfim, chegando às proximidades da Praça Misael Pena, localizada no Parque Moscoso, o dócil cavalinho me avisava:
- Professor, como pode ver ali, naquelas baias é minha morada. Chegamos! Fico-lhe grato pela paciência que teve comigo, me tratando como se de verdade se trata ao semelhante. Quando quiser, visite-me, sentir-me-ei honrado!
Segui de volta por outro caminho, pois meu fusca se encontrava estacionado nas proximidades da casa em que houve a festinha. Nada além de meu carro havia ali, a festa terminara e todos os convidados se haviam retirado rumo às suas casas. Peguei meu fusca e desci por aqueles caminhos desenhados naquelas ruas tortuosas, escadarias, ressaltos e, num determinado local teria que passar equilibrando sobre um cabo de aço estirado de um segmento de rua a outro. Duvidei que conseguisse sai ileso dessa aventura, mas, como que por um passe de mágica cheguei ao outro lado ileso. Prossegui meu caminho para chegar a casa. Na realidade quando ia contar à Anésia toda a façanha, acordei.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

ELEIÇÕES, O DIA SEGUINTE

As eleições municipais aconteceram ontem e se encerraram às 17 horas. Pouco mais de duas horas após esse horário, graças ao processo eleitoral brasileiro, que não se duvida, é o mais eficiente do mundo, pois já eram conhecidos resultados finais do pleito em grande parte das cidades brasileiras. Isto permitiu que se conhecessem novos prefeitos e novos vereadores. Pois bem, pode-se afirmar que em matéria eleitoral, o dia seguinte teve início no mesmo dia. Mas efetivamente o dia seguinte é hoje – dia de ressaca cívica: ruas repletas de panfletos por todas as cidades tupiniquins, candidatos eleitos, candidatos derrotados, eleitores satisfeitos com os resultados e outros nem tanto.
Àqueles que se elegeram, aos que se reelegeram, estejam certos: as cidades brasileiras contam, aguardam e esperam que todos cumpram seu dever com trabalho probo, sabendo representar a população que lhes outorgou a incumbência de representá-la junto às estas unidades da federação – os municípios. Representando para realizar ações que satisfaçam esperanças, aspirações e cumprir fielmente àquilo que é seu dever como representante, não apenas de quem fez a escolha, mas de todos os munícipes, ou seja, de toda a comunidade.
Aos que lograram classificação para se submeterem a nova escolha em segundo turno: saibam mais uma vez fazer da disputa um momento de convencimento do eleitorado sobre suas propostas de trabalho, demonstrando por que deve ser votado e convencendo que é o melhor e que, por isto, merece ser eleito.
A estes, cujos resultados não os contemplaram neste pleito, vocês poderão fazer nova tentativa nas próximas eleições, decorridos quatro anos. Enquanto isso; sejam gratos pelos votos alcançados, embora mínimos; sejam solícitos, demonstrando que merecem receber novos votos. Deixem claras e concretas suas intenções, que as mesmas não visavam apenas este pleito. Sejam sempre verdadeiros amigos e solidários, pois novas oportunidades se lhes apresentarão e pensem: perder uma eleição, talvez não fosse o pior que lhes pudesse acontecer, e acima de tudo: seria impossível que todos se elegessem. Reajam e tentem novamente!