Esta página representa espaço destinado ao registro de artigos do autor Idomar Taufner. Opiniões acerca dos mais variados assuntos, enfim, coisas do cotidiano definidas ocasionalmente nas memórias antigas e recentes. Aceita-se comentários pertinentes aos assuntos abordados, isto é, são sempre bem-vindos.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Ao visitante
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sábado, 1 de março de 2008
Resumo do livro "A Pedra da Onça - Jazidas, lavras e garimpos nio Espírito Santo"
RESUMO DO LIVRO “A PEDRA DA ONÇA – JAZIDAS, LAVRAS E GARIMPOS NO ESPÍRITO SANTO”
Nome da obra:
“A Pedra da Onça – Jazidas, lavras e garimpos no Espírito Santo”. Esse nome é, na realidade, um ícone dos garimpos no Estado do Espírito Santo.
Sobre o autor:
Idomar Taufner.
Formação: Ciências Contábeis.
Atividades profissionais: Farmacêutico prático, agricultor, funcionário público e docente de contabilidade em escolas de nível superior (FAESA e UVV). Atualmente é aposentado como Auditor da Receita Federal do Brasil.
Atividade paralela: Durante 40 anos dedicou-se ao garimpo de pedras preciosas e semipreciosas, adquirindo prática empírica e realizando pesquisas técnicas sobre o assunto. Para esse mister contava com a colaboração de garimpeiros (práticos), trabalhando descontinuamente e de forma absolutamente amadora.
Motivação: A história da lavra da Pedra da Onça, descoberta em 1941, motivou o interesse pelo assunto em toda a população da região dos municípios limítrofes de Itarana, Itaguaçu, Santa Teresa e de outros mais distantes.
Conseqüências: Com a expressiva quantidade de pedras preciosas encontradas, houve a geração de grandes fortunas para os partícipes desse garimpo; fortunas que trouxeram imediata mudança na vida financeira de muitas famílias dessas localidades e de muitas pessoas vindas de outros estados que levaram consigo a riqueza ali auferida, não deixando nada, nem mesmo notícias de suas participações; alguns, com a mesma facilidade com que adquiriram as fortunas, deixaram que se lhes escapassem das mãos. A grande notícia do evento incomum criou na região central do Espírito Santo, com maior ênfase, um efeito psicológico que resultou em outras grandes descobertas de riquezas de cristais de águas-marinhas, ametistas; quartzo incolor, róseo, enfumaçado, berilos, topázios, andaluzitas, crisoberilo e crisoberilo olho-de-gato, pedra da lua, granadas, brasilianitas, hematitas, piritas, fluoritas, as principais gemas de que se têm notícias, produzidas no solo espírito-santense.
As histórias: Desde o litoral dos municípios de Guarapari, Cariacica, Serra, Fundão e Aracruz ao extremo sul, e oeste, incluindo-se os municípios centrais aos dos extremos noroeste e sudoeste, são relatados sob a forma de depoimentos verbais transcritos na obra e boa parte das memórias do próprio autor sobre as suas experiências diretas na atividade garimpeira.
Pesquisas Técnicas: Técnicas de garimpagem a céu aberto e através de galerias subterrâneas e de exploração de lençóis aluviais. Dados inerentes às formas cristalinas das gemas, propriedades físicas e composições químicas, as formas da garimpagem, a transformação a que os lapidários dão forma e beleza para que, finalmente, os joalheiros as integrem a metais preciosos na produção de jóias e adornos.
Finalmente: Uma parte de curiosidades sobre as gemas como o poder de cura que podem as pedras possuir (o que muitos crêem) e uma vasta simbologia como datas de aniversários de casamentos, anjos, astros, profissões e signos.
Cuidados com o meio ambiente: dar proteção aos ecossistemas (florestas, nascentes, rios, solo, lençóis freáticos e paisagens naturais como pedreiras e vales) e recompor danos porventura causados.
O livro se encontra à venda na Livraria Logos, em Vitória- ES, ao preço de R$ 30,00 (trinta reais) cada exemplar.
Vitória, 17 de dezembro de 2007.
Idomar Taufner
Nome da obra:
“A Pedra da Onça – Jazidas, lavras e garimpos no Espírito Santo”. Esse nome é, na realidade, um ícone dos garimpos no Estado do Espírito Santo.
Sobre o autor:
Idomar Taufner.
Formação: Ciências Contábeis.
Atividades profissionais: Farmacêutico prático, agricultor, funcionário público e docente de contabilidade em escolas de nível superior (FAESA e UVV). Atualmente é aposentado como Auditor da Receita Federal do Brasil.
Atividade paralela: Durante 40 anos dedicou-se ao garimpo de pedras preciosas e semipreciosas, adquirindo prática empírica e realizando pesquisas técnicas sobre o assunto. Para esse mister contava com a colaboração de garimpeiros (práticos), trabalhando descontinuamente e de forma absolutamente amadora.
Motivação: A história da lavra da Pedra da Onça, descoberta em 1941, motivou o interesse pelo assunto em toda a população da região dos municípios limítrofes de Itarana, Itaguaçu, Santa Teresa e de outros mais distantes.
Conseqüências: Com a expressiva quantidade de pedras preciosas encontradas, houve a geração de grandes fortunas para os partícipes desse garimpo; fortunas que trouxeram imediata mudança na vida financeira de muitas famílias dessas localidades e de muitas pessoas vindas de outros estados que levaram consigo a riqueza ali auferida, não deixando nada, nem mesmo notícias de suas participações; alguns, com a mesma facilidade com que adquiriram as fortunas, deixaram que se lhes escapassem das mãos. A grande notícia do evento incomum criou na região central do Espírito Santo, com maior ênfase, um efeito psicológico que resultou em outras grandes descobertas de riquezas de cristais de águas-marinhas, ametistas; quartzo incolor, róseo, enfumaçado, berilos, topázios, andaluzitas, crisoberilo e crisoberilo olho-de-gato, pedra da lua, granadas, brasilianitas, hematitas, piritas, fluoritas, as principais gemas de que se têm notícias, produzidas no solo espírito-santense.
As histórias: Desde o litoral dos municípios de Guarapari, Cariacica, Serra, Fundão e Aracruz ao extremo sul, e oeste, incluindo-se os municípios centrais aos dos extremos noroeste e sudoeste, são relatados sob a forma de depoimentos verbais transcritos na obra e boa parte das memórias do próprio autor sobre as suas experiências diretas na atividade garimpeira.
Pesquisas Técnicas: Técnicas de garimpagem a céu aberto e através de galerias subterrâneas e de exploração de lençóis aluviais. Dados inerentes às formas cristalinas das gemas, propriedades físicas e composições químicas, as formas da garimpagem, a transformação a que os lapidários dão forma e beleza para que, finalmente, os joalheiros as integrem a metais preciosos na produção de jóias e adornos.
Finalmente: Uma parte de curiosidades sobre as gemas como o poder de cura que podem as pedras possuir (o que muitos crêem) e uma vasta simbologia como datas de aniversários de casamentos, anjos, astros, profissões e signos.
Cuidados com o meio ambiente: dar proteção aos ecossistemas (florestas, nascentes, rios, solo, lençóis freáticos e paisagens naturais como pedreiras e vales) e recompor danos porventura causados.
O livro se encontra à venda na Livraria Logos, em Vitória- ES, ao preço de R$ 30,00 (trinta reais) cada exemplar.
Vitória, 17 de dezembro de 2007.
Idomar Taufner
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
ÁGUA É VIDA
No livro do Gênesis, pode-se perceber que a criação da vida está intimamente ligada à existência da água, inicialmente suspensa na forma de vapor, resfriada depois se liquefez. Dois terços do planeta são de água, também da mesma quantia é formado nosso corpo. Foi, com absoluta certeza, que a vida surgiu da água. Certamente ao que hoje presenciamos como seres terrestres tiveram origem na água; primeiro criados e donos do meio hídrico; depois de migrados para camada superior da hidrosfera, dominaram a litosfera e a atmosfera. E agora? Agora já se preparam para migrar ao cosmo. Primeiramente é preciso que se saiba onde exista água por lá, mas que seja idêntica a que se tem aqui.
Qual a principal indagação sobre a existência ou não de vida no universo além de nosso planeta terra? Existe água? Se existir, é uma possibilidade de que ali exista vida tal como a conhecemos. E se não existir? Bom pode ser que existam outras formas de vida ainda desconhecidas por nós. Apesar de algumas imagens de outros planetas do nosso sistema solar sugerirem que ali exista ou tenha existido água a incógnita persiste. Mas se há água, certamente poderá existir vida, até mesmo igual à nossa. As evidências de que haja existido água nesses remotos corpos celestes, ainda é cedo para uma afirmação conclusiva. Digamos que existam ou tenham existido mares, lagos e rios de algum meio líqüido ainda desconhecido pela ciência que não sirva à vida tal como a conhecemos, mas outros tipos jamais imaginados. Quem sabe?
Por enquanto, nos resta afirmar que nessa nossa morada particular chamada Terra há uma certeza axiomática: Se há água, há vida.
Ainda lendo o Gênesis, vemos que Deus não deixou que seu povo eleito que retornava do Egito perecesse de sede, oferecendo-lhe água que jorrou da rocha depois de tocada pelo bastão de Moisés, o mesmo que feriu as águas do Rio Nilo. E isso vai adiante quando Jesus à beira do poço de Jacó pede água à Samaritana para saciar-lhe a sede, prometendo que poderia servir-lhe uma água que lhe saciaria eternamente a sede, pois lhe daria de beber uma água de vida eterna.
Jesus Cristo foi batizado por João Batista com água, essa mesma que continua a nos tornar cristãos. Por que o batismo indica que morremos para o pecado e renascemos purificados em Cristo.
A água pode significar morte quando afoga; pode destruir, também lavar, refrescar e dar vida. Ora pode ser instrumento de morte, ora de vida.
Numa visão profética foi vista uma fonte que se originava do Templo de Jerusalém corria para o Rio Jordão numa torrente caudalosa, gerando muita vida às margens desse grande rio até juntarem-se às águas do mar.
A fonte do templo
[...] “Ezequiel, desejoso em mostrar o caminho de Israel renovado, imagina o povo instaurado também numa Palestina renovada (Ez 47,1-2.8-9.12). Por isso, vê a terra banhada e irrigada com a água fertilizante que sai do Templo, em direção ao Oriente (v.1-2). Na nova Sião, a fonte nova do Templo jorra e avoluma-se (vv.2-6), fertilizando o deserto com árvores frutíferas (vv.7.12), cujas folhas têm poder medicinal (v.12) para manifestar a glória do Senhor Deus, que habita o Santuário”[...].
Mas se Deus nos presenteou com esta água que nos dá a vida, cabe a nós conservá-la para que nossos semelhantes dela se utilizem e que esteja disponível para os nossos descendentes para conservar-lhes a vida. Mas que fazer para conservação desta dádiva de Deus? A água. Encontrar meios capazes de sua manutenção hoje e no futuro. Mas como? Isto demanda algumas ações simples, mas não podem deixar de serem feitas. Algumas delas podem ser resumidamente mencionadas: preservação das nascentes, não apenas das nascentes, mas das bacias de captação que abastecem os lençóis freáticos de onde se originam as minas de água. Proteger a conservação de uma nascente significa manter ou restabelecer a cobertura vegetal que impeça a formação das enxurradas, que forme esponjas absorventes que contenham as águas das chuvas e as deixe escorrer lentamente para serem absorvidas pelas camadas do solo e encham essas bacias de captação formando reservas que, vagarosamente façam perfusão para as aberturas de fendas nas rochas e abasteçam os mananciais formadores dos cursos de água chamados córregos, riachos e rios até chegarem aos mares e oceanos.
Cabe depois a manutenção destas correntes livres da contaminação poluidora dos dejetos de natureza doméstica e industrial, possibilitando a existência de água potável e meio para a procriação de animais aquáticos como peixes, crustáceos, zooplancto e fitoplancto responsáveis pelo início da cadeia alimentar.
Para concluir diria que água pura é vida e gera a vida; água impura e poluída significa doença e morte.
Vila Velha, 24 de fevereiro de 2008
Idomar Taufner

ÁGUA É VIDA by Idomar Taufner is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Based on a work at taufner.blogspot.com.
Qual a principal indagação sobre a existência ou não de vida no universo além de nosso planeta terra? Existe água? Se existir, é uma possibilidade de que ali exista vida tal como a conhecemos. E se não existir? Bom pode ser que existam outras formas de vida ainda desconhecidas por nós. Apesar de algumas imagens de outros planetas do nosso sistema solar sugerirem que ali exista ou tenha existido água a incógnita persiste. Mas se há água, certamente poderá existir vida, até mesmo igual à nossa. As evidências de que haja existido água nesses remotos corpos celestes, ainda é cedo para uma afirmação conclusiva. Digamos que existam ou tenham existido mares, lagos e rios de algum meio líqüido ainda desconhecido pela ciência que não sirva à vida tal como a conhecemos, mas outros tipos jamais imaginados. Quem sabe?
Por enquanto, nos resta afirmar que nessa nossa morada particular chamada Terra há uma certeza axiomática: Se há água, há vida.
Ainda lendo o Gênesis, vemos que Deus não deixou que seu povo eleito que retornava do Egito perecesse de sede, oferecendo-lhe água que jorrou da rocha depois de tocada pelo bastão de Moisés, o mesmo que feriu as águas do Rio Nilo. E isso vai adiante quando Jesus à beira do poço de Jacó pede água à Samaritana para saciar-lhe a sede, prometendo que poderia servir-lhe uma água que lhe saciaria eternamente a sede, pois lhe daria de beber uma água de vida eterna.
Jesus Cristo foi batizado por João Batista com água, essa mesma que continua a nos tornar cristãos. Por que o batismo indica que morremos para o pecado e renascemos purificados em Cristo.
A água pode significar morte quando afoga; pode destruir, também lavar, refrescar e dar vida. Ora pode ser instrumento de morte, ora de vida.
Numa visão profética foi vista uma fonte que se originava do Templo de Jerusalém corria para o Rio Jordão numa torrente caudalosa, gerando muita vida às margens desse grande rio até juntarem-se às águas do mar.
A fonte do templo
[...] “Ezequiel, desejoso em mostrar o caminho de Israel renovado, imagina o povo instaurado também numa Palestina renovada (Ez 47,1-2.8-9.12). Por isso, vê a terra banhada e irrigada com a água fertilizante que sai do Templo, em direção ao Oriente (v.1-2). Na nova Sião, a fonte nova do Templo jorra e avoluma-se (vv.2-6), fertilizando o deserto com árvores frutíferas (vv.7.12), cujas folhas têm poder medicinal (v.12) para manifestar a glória do Senhor Deus, que habita o Santuário”[...].
Mas se Deus nos presenteou com esta água que nos dá a vida, cabe a nós conservá-la para que nossos semelhantes dela se utilizem e que esteja disponível para os nossos descendentes para conservar-lhes a vida. Mas que fazer para conservação desta dádiva de Deus? A água. Encontrar meios capazes de sua manutenção hoje e no futuro. Mas como? Isto demanda algumas ações simples, mas não podem deixar de serem feitas. Algumas delas podem ser resumidamente mencionadas: preservação das nascentes, não apenas das nascentes, mas das bacias de captação que abastecem os lençóis freáticos de onde se originam as minas de água. Proteger a conservação de uma nascente significa manter ou restabelecer a cobertura vegetal que impeça a formação das enxurradas, que forme esponjas absorventes que contenham as águas das chuvas e as deixe escorrer lentamente para serem absorvidas pelas camadas do solo e encham essas bacias de captação formando reservas que, vagarosamente façam perfusão para as aberturas de fendas nas rochas e abasteçam os mananciais formadores dos cursos de água chamados córregos, riachos e rios até chegarem aos mares e oceanos.
Cabe depois a manutenção destas correntes livres da contaminação poluidora dos dejetos de natureza doméstica e industrial, possibilitando a existência de água potável e meio para a procriação de animais aquáticos como peixes, crustáceos, zooplancto e fitoplancto responsáveis pelo início da cadeia alimentar.
Para concluir diria que água pura é vida e gera a vida; água impura e poluída significa doença e morte.
Vila Velha, 24 de fevereiro de 2008
Idomar Taufner
ÁGUA É VIDA by Idomar Taufner is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Based on a work at taufner.blogspot.com.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Viagem de Vila Velha a Sào Mateus
VIAGEM DE VILA VELHA A SÃO MATEUS
É incrível, mas viajei, numa madrugada de Vila Velha a São Mateus. Coisa que há tempos não faço. Saí, atravessei Vitória, atingindo a BR-101 em poucos minutos, passando respectivamente por Serra, Fundão, Ibiraçu, João Neiva e Distrito de Guaraná. Antes que chegasse a Linhares passei por um trecho da rodovia alagado e às margens havia muito barro. Isto deveria ser aquele local que há poucos dias fortes chuvas arrastaram pequeno segmento da pista de rolagem. Desse local, até São Mateus, não visualizei mais a pista asfáltica da rodovia, gastando ao todo, não mais que duas horas e trinta minutos – uma viagem normal, levando-se em consideração o mau estado da pista causado pelas recentes chuvas na região.
O inusitado que essa viagem foi feita a pé porque minha habilitação se encontra vencida; tive que me deslocar ao extremo norte do Estado por ter sido convocado pelo meu antigo chefe e colega Hiram (ele também é aposentado por invalidez e não perde essa mania de me arrumar serviço, embora saiba das restrições que me são impostas por várias enfermidades crônicas e incapacitantes). Na realidade, tivemos que prestar auxílio numa campanha vacinal, por que uma epidemia de febre amarela ameaça o norte do Espírito Santo.
Em São Mateus procurei por Hiran para saber como seria minha participação nesse trabalho. Ele simplesmente me informou: - “faça seu trabalho. Não me importo como, mas o inclua na sua produção mensal”. E desta forma objetiva ele se manifestou tanto a mim quanto a Pedro Massariol, com economia de palavras, ou seja, friamente. Ele já se encontrava confortavelmente instalado e parecia não se importar com nossa sorte (na realidade quando foi nosso chefe no passado jamais teria agido desta forma, isso é que nos parecia estranho).
Embora tivesse feito grande caminhada não sentia quaisquer sinais de cansaco, sede ou fome. Eu vestia bermuda, calçava uma sandália guarnecida por meias nos pés, de coisa igual também Pedro Massariol exibia. Achava a cidade muito mudada: agora menor do que fora em 1982, ocasião em que participei de um plantão fiscal; a velha pensão em que estivera hospedado, agora exibia um prédio de quatro andares, mas com as características antigas mantidas (lembro de que na ocasião estivera instalado num pequeno quarto com vista para o Rio Cricaré e da antiga parte das edificações portuárias à sua margem); o prédio que abrigava o antigo INPS, INAMPS e IAPAS, por mais que o procurasse não conseguia encontrá-lo. Andei muito pela cidade e bastante preocupado como haveria de me desincumbir de difícil tarefa, lembrava-me inclusive de outras tarefas que o mesmo Hiran havia me incumbido e eu ainda não as tinha executado. Como faria agora? Longe de casa, de meu computador, dos livros que escrevo, longe dos meus médicos, longe de minha família que me presta socorro por ocasião de crises hipertensivas e do conforto que minha moradia oferece aqui na Praia da Costa?
E você, leitor, acha justo o que esse ex-chefe constantemente me impõe trabalhos de fiscalização de empresas estranhas, de contas e de documentos que não conheço? E agora mais essa de participar de campanha de vacinação? Disse e repito: esse tal antigo chefe está extrapolando competências, quando faz com que pessoa portadora de moléstias incapacitantes retorne ao trabalho. Ele é um déspota, acredito que não o saiba.
Depois de tanto andar pela cidade à procura do posto de saúde, deparei-me com uma escola aonde se vacinavam as crianças. Vi que uma dessas pessoas que ministrava vacinas nas crianças era minha cunhada Maria Isabel, (provavelmente teria sido convocada pelo Ministério Saúde de onde provem sua aposentadoria). Não sabia, mas durante minhas andanças por essa cidade estranha agora, deparei-me com Anésia que estaria ali, não sei fazendo o que. Certamente também convocada pelo Ministério da Saúde igualmente o foram ela e sua irmã Isabel.
Realizar uma ação humanitária visando proteger uma população de prováveis ataques de doenças infectocontagiosas, sem dúvida era praticar coisa boa; desumano e cruel era essa prática de fazer com que anciões enfermos, aposentados por invalidez, desatualizados com as normas que vigeram seu trabalho fossem convocados a retornar às atividades laborais. Tenho a mais absoluta certeza de que este não era o Hiram que conheci como chefe.
À tarde quando a noite era próxima, ofereceram-me um utilitário “Van” de cor preta para que eu retornasse a casa bem como transportasse para a Grande Vitória outras pessoas também participantes de tal campanha vacinal. Sentei-me no banco do motorista e já dava partida no veículo quando Anésia, se aproximando, falou: - “Ei! Pare esta coisa que também volto a casa, mas não a pé”. O banco do carona que ela naturalmente ocuparia, havia sentado um daqueles trabalhadores que retornava (Nem me lembrei, mas minha habilitação de motorista condutor há dias estava vencida; dirigir nesse momento poderia ser uma infração às leis de trânsito ou ser simplesmente uma incoerência do texto). Maria Isabel, irmã de Anésia não veio conosco. Lembrei-me que ela e seu esposo Enéias passam alguns dias na Praia de Guriri.
Não me lembro de ter conduzido tal auto que me disponibilizaram para regressar, nem que Anésia tenha retornado a casa comigo. De nada mesmo me lembro. E das vacinações? Que vacinações?
Pensando bem eu poderia ocupar os préstimos daquela senhora, nossa vizinha, que dizem ser especialista na interpretação de sonhos. Deixemos isso para lá. De que adiantaria incomodar vizinhos tão bons! Bom mesmo é que eu tente a interpretação deste sonho, assim: fazer longas caminhadas (não grandes assim como essa) é coisa de que estou a necessitar, desde o mês de dezembro quando iniciei um processo letárgico, sentindo grande cansaço, dormindo a qualquer momento onde quer que, nesses dias eu estivesse, tinha memória lenta e desânimo generalizado; vacinar a população de São Mateus é uma realidade, pois hoje os municípios ao norte do Estado do Espírito Santo vivem uma ameaça concreta da febre amarela; sobre as reiteradas convocações para executar trabalhos ordenados pelo antigo chefe Hiran simbolizam sentimentos nostálgicos de quando fomos chefiados por esse colega de quem temos as melhores lembranças, talvez fosse mesmo o desejo reprimido da continuidade; sobre a cidade de São Mateus eu guardo boas recordações de quando tive oportunidade de trabalhar ali como fiscal plantonista durante dois períodos; A presença de Maria Isabel em São Mateus é coisa real nesses dias, pois ela e seu esposo passam temporada na Praia de Guriri neste município. Subliminarmente minhas enfermidades são coisas reais. Não se trata de morbidez ou simplesmente manias (hipocondria). Ao longo dos anos o avanço da longevidade me trouxe hábitos de observar os limites de cada problema e a adoção de práticas não apenas rigorosas, mas radicais mesmo. E isto, como coisas incutidas enfaticamente, sequer nos sonhos me liberto desses registros.
Vila Velha, 02 de fevereiro de 2008.
Idomar Taufner
É incrível, mas viajei, numa madrugada de Vila Velha a São Mateus. Coisa que há tempos não faço. Saí, atravessei Vitória, atingindo a BR-101 em poucos minutos, passando respectivamente por Serra, Fundão, Ibiraçu, João Neiva e Distrito de Guaraná. Antes que chegasse a Linhares passei por um trecho da rodovia alagado e às margens havia muito barro. Isto deveria ser aquele local que há poucos dias fortes chuvas arrastaram pequeno segmento da pista de rolagem. Desse local, até São Mateus, não visualizei mais a pista asfáltica da rodovia, gastando ao todo, não mais que duas horas e trinta minutos – uma viagem normal, levando-se em consideração o mau estado da pista causado pelas recentes chuvas na região.
O inusitado que essa viagem foi feita a pé porque minha habilitação se encontra vencida; tive que me deslocar ao extremo norte do Estado por ter sido convocado pelo meu antigo chefe e colega Hiram (ele também é aposentado por invalidez e não perde essa mania de me arrumar serviço, embora saiba das restrições que me são impostas por várias enfermidades crônicas e incapacitantes). Na realidade, tivemos que prestar auxílio numa campanha vacinal, por que uma epidemia de febre amarela ameaça o norte do Espírito Santo.
Em São Mateus procurei por Hiran para saber como seria minha participação nesse trabalho. Ele simplesmente me informou: - “faça seu trabalho. Não me importo como, mas o inclua na sua produção mensal”. E desta forma objetiva ele se manifestou tanto a mim quanto a Pedro Massariol, com economia de palavras, ou seja, friamente. Ele já se encontrava confortavelmente instalado e parecia não se importar com nossa sorte (na realidade quando foi nosso chefe no passado jamais teria agido desta forma, isso é que nos parecia estranho).
Embora tivesse feito grande caminhada não sentia quaisquer sinais de cansaco, sede ou fome. Eu vestia bermuda, calçava uma sandália guarnecida por meias nos pés, de coisa igual também Pedro Massariol exibia. Achava a cidade muito mudada: agora menor do que fora em 1982, ocasião em que participei de um plantão fiscal; a velha pensão em que estivera hospedado, agora exibia um prédio de quatro andares, mas com as características antigas mantidas (lembro de que na ocasião estivera instalado num pequeno quarto com vista para o Rio Cricaré e da antiga parte das edificações portuárias à sua margem); o prédio que abrigava o antigo INPS, INAMPS e IAPAS, por mais que o procurasse não conseguia encontrá-lo. Andei muito pela cidade e bastante preocupado como haveria de me desincumbir de difícil tarefa, lembrava-me inclusive de outras tarefas que o mesmo Hiran havia me incumbido e eu ainda não as tinha executado. Como faria agora? Longe de casa, de meu computador, dos livros que escrevo, longe dos meus médicos, longe de minha família que me presta socorro por ocasião de crises hipertensivas e do conforto que minha moradia oferece aqui na Praia da Costa?
E você, leitor, acha justo o que esse ex-chefe constantemente me impõe trabalhos de fiscalização de empresas estranhas, de contas e de documentos que não conheço? E agora mais essa de participar de campanha de vacinação? Disse e repito: esse tal antigo chefe está extrapolando competências, quando faz com que pessoa portadora de moléstias incapacitantes retorne ao trabalho. Ele é um déspota, acredito que não o saiba.
Depois de tanto andar pela cidade à procura do posto de saúde, deparei-me com uma escola aonde se vacinavam as crianças. Vi que uma dessas pessoas que ministrava vacinas nas crianças era minha cunhada Maria Isabel, (provavelmente teria sido convocada pelo Ministério Saúde de onde provem sua aposentadoria). Não sabia, mas durante minhas andanças por essa cidade estranha agora, deparei-me com Anésia que estaria ali, não sei fazendo o que. Certamente também convocada pelo Ministério da Saúde igualmente o foram ela e sua irmã Isabel.
Realizar uma ação humanitária visando proteger uma população de prováveis ataques de doenças infectocontagiosas, sem dúvida era praticar coisa boa; desumano e cruel era essa prática de fazer com que anciões enfermos, aposentados por invalidez, desatualizados com as normas que vigeram seu trabalho fossem convocados a retornar às atividades laborais. Tenho a mais absoluta certeza de que este não era o Hiram que conheci como chefe.
À tarde quando a noite era próxima, ofereceram-me um utilitário “Van” de cor preta para que eu retornasse a casa bem como transportasse para a Grande Vitória outras pessoas também participantes de tal campanha vacinal. Sentei-me no banco do motorista e já dava partida no veículo quando Anésia, se aproximando, falou: - “Ei! Pare esta coisa que também volto a casa, mas não a pé”. O banco do carona que ela naturalmente ocuparia, havia sentado um daqueles trabalhadores que retornava (Nem me lembrei, mas minha habilitação de motorista condutor há dias estava vencida; dirigir nesse momento poderia ser uma infração às leis de trânsito ou ser simplesmente uma incoerência do texto). Maria Isabel, irmã de Anésia não veio conosco. Lembrei-me que ela e seu esposo Enéias passam alguns dias na Praia de Guriri.
Não me lembro de ter conduzido tal auto que me disponibilizaram para regressar, nem que Anésia tenha retornado a casa comigo. De nada mesmo me lembro. E das vacinações? Que vacinações?
Pensando bem eu poderia ocupar os préstimos daquela senhora, nossa vizinha, que dizem ser especialista na interpretação de sonhos. Deixemos isso para lá. De que adiantaria incomodar vizinhos tão bons! Bom mesmo é que eu tente a interpretação deste sonho, assim: fazer longas caminhadas (não grandes assim como essa) é coisa de que estou a necessitar, desde o mês de dezembro quando iniciei um processo letárgico, sentindo grande cansaço, dormindo a qualquer momento onde quer que, nesses dias eu estivesse, tinha memória lenta e desânimo generalizado; vacinar a população de São Mateus é uma realidade, pois hoje os municípios ao norte do Estado do Espírito Santo vivem uma ameaça concreta da febre amarela; sobre as reiteradas convocações para executar trabalhos ordenados pelo antigo chefe Hiran simbolizam sentimentos nostálgicos de quando fomos chefiados por esse colega de quem temos as melhores lembranças, talvez fosse mesmo o desejo reprimido da continuidade; sobre a cidade de São Mateus eu guardo boas recordações de quando tive oportunidade de trabalhar ali como fiscal plantonista durante dois períodos; A presença de Maria Isabel em São Mateus é coisa real nesses dias, pois ela e seu esposo passam temporada na Praia de Guriri neste município. Subliminarmente minhas enfermidades são coisas reais. Não se trata de morbidez ou simplesmente manias (hipocondria). Ao longo dos anos o avanço da longevidade me trouxe hábitos de observar os limites de cada problema e a adoção de práticas não apenas rigorosas, mas radicais mesmo. E isto, como coisas incutidas enfaticamente, sequer nos sonhos me liberto desses registros.
Vila Velha, 02 de fevereiro de 2008.
Idomar Taufner
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Onde há água, há vida.
Apesar de o planeta terra ser contemplado com 3/5 de água na sua composição, nós presenciamos a falta deste precioso líquido para o consumo humano. Falando apenas de onde a gente conhece, vimos recentemente faltar água no interior do Espírito Santo desde o sul, centro e norte, praticamente todo o Estado sofreu com a escassez de chuvas durante esse último ano. E, pelo que aparenta nestes primeiros dias de 2008, neste ano não será diferente. Já se pode sentir que os recursos hídricos do Estado estão dentro dos limites da sobrevivência. Os principais rios do nosso estado apresentam um estado de vazão decrescente, atingindo inexoravelmente o ponto de "alarme". Em poucos dias meios para produzir espécimes vegetais que nos servem como alimento e de renda para os trabalhadores e produtores rurais, vimos nesse último ano cenas de animais mortos pela sede, daqui a pouco veremos populações inteiras abandonando suas terras com aquelas cenas nossas velhas conhecidas dos “retirantes”.
Sabemos e não podemos negar que o aquecimento global causado pela excessiva deposição de gases carboníferos na atmosfera está causando sinais a cada vez mais visíveis de que o nosso planeta está perecendo. Esta é, talvez, a mais grave das causas do desequilíbrio que vem acarretando degelo, tempestades a cada vez mais devastadoras, secas prolongadas com excessivo aumento de calor e redução das taxas de umidade relativa, propiciando incêndios florestais que, não raro, afetam áreas urbanas densamente habitadas. A morte de animais aquáticos causada por agentes poluentes despejados nas águas dos rios, lagos e oceanos. Muitos desses dejetos são resíduos de bens industrializados de uso rotineiro no dia a dia de todos nós, geralmente produtos sintéticos produzidos a partir do petróleo cuja degradação chega, em muitos casos, a algumas centenas de anos.
Vê-se que a Grande Vitória não está imune ao que acontece no restante do mundo. Imagino a nossa situação daqui a vinte anos: não haverá água para irrigar as plantações, para saciar a sede dos animais; os peixes fluviais estarão extintos, a água potável ainda possível será bombeada de lençóis freáticos profundos e não há exagero algum em procurarmos desenvolver o tratamento da água do mar, dessalinizando e a tornando potável.
Se todos tomassem consciência de adotar hábitos saudáveis para o meio ambiente e reduzir gradativamente a queima de combustíveis fósseis. Controlar sistematicamente as queimadas, fazendo reflorestamentos com espécimes da flora natural, procurando cobrir prioritariamente com vegetação as bacias de captação de águas pluviais para que se reabasteçam os lençóis freáticos de modo que as nascentes voltem a fluir naquelas extintas e se conservem as que ainda subsistem; dar crédito e apoiar iniciativas como uma que acaba de ser divulgada sobre a transformação de resíduos de plásticos na produção de madeira sintética, poupando florestas que protegem a existência da água, que absorvem gases e equilibram o clima do planeta e ajudam na preservação de animais condenados à completa extinção. Apesar do estardalhaço que os cientistas vêm tratando esse assunto, parece não se tratar de problemas próprios dos terráqueos; parece ser uma visão ficcional de algum corpo celeste que estaria em vias de extinção.
Quem sabe, contando com a clemência do Onipotente que, vendo as tentativas da humanidade de preservar a vida nesta Terra, nos ajude reverter esta situação: faça voltar o gelo e a neve nos pólos e nas altas montanhas, não permitindo que os mares se elevem e destruam todos os litorais do planeta; faça com que chova regularmente, não permita que maremotos, terremotos e tempestades destruam cidades e populações; faça com que as florestas e os animais silvestres ocupem seus espaços, com que os peixes habitem tanto os rios quanto os mares; faça, enfim, que a vida seja preservada sobre esta Terra.
Há poucos dias testemunhamos a apreensão de água livremente vendida com qualidades de potabilidade duvidosa. São realmente de qualidade duvidosa estas águas envasadas e vendidas como se fossem águas com propriedades minerais, estas propriedades podem realmente estarem presentes. Mas há um fator que não deve ser descartado: águas obtidas de minas, apesar da aparente limpidez, podem conter microorganismos de origem vegetal e microbiana e ainda restos de matéria orgânica por serem provenientes de lençóis freáticos relativamente superficiais. Parece-nos a forma mais segura para o consumo da água de uso doméstico, utilizada tanto como bebida quanto para a preparação de alimentos, aquela fornecida tratada, depois de novamente tratada em filtros especiais que recolham impurezas. Tanto de resíduos sólidos, quanto de substâncias químicas provenientes do processo de saneamento.
Não deve ser descartada a reserva de águas pluviais, recolhidas de coberturas e depositadas em reservatórios preferencialmente subterrâneos. Essas águas reservadas servirão para uso geral em períodos de escassez.
Para o bombeamento de águas alternativas não deveria ser descartado o uso da energia eólica ou daquela produzida pela captação da energia solar.
As águas resultantes do tratamento de esgotos deveriam ser reutilizadas na irrigação de jardins, lavagem de veículos lavagem de pátios de empresas, praças de esportes e na limpeza de vias públicas.
Quanto às águas obtidas de lençóis freáticos profundos existe o risco da presença de arsênico, substância extremamente tóxica com o agravante de ser cancerígena.
Perdemos tempo precioso, apenas falando e prevendo esta catástrofe a que a humanidade a cada momento se expõe a um processo gradativo de extinção. Que tal tomar cada um de nós sua participação através da adoção de providências concretas. Como exemplo de participação, cito aquela história de um beija-flor que tentava combater um grande incêndio numa floresta com a água que conseguia transportar no bico. Alguém perguntou ao minúsculo pássaro de que adiantaria aquela pequena quantidade de água para combater um grande incêndio. Ele simplesmente respondeu: - "faço a minha parte".
Vila Velha, 02 de janeiro de 2008.

Onde há água, há vida. by Idomar Taufner is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Based on a work at taufner.blogspot.com.
Idomar Taufner
Sabemos e não podemos negar que o aquecimento global causado pela excessiva deposição de gases carboníferos na atmosfera está causando sinais a cada vez mais visíveis de que o nosso planeta está perecendo. Esta é, talvez, a mais grave das causas do desequilíbrio que vem acarretando degelo, tempestades a cada vez mais devastadoras, secas prolongadas com excessivo aumento de calor e redução das taxas de umidade relativa, propiciando incêndios florestais que, não raro, afetam áreas urbanas densamente habitadas. A morte de animais aquáticos causada por agentes poluentes despejados nas águas dos rios, lagos e oceanos. Muitos desses dejetos são resíduos de bens industrializados de uso rotineiro no dia a dia de todos nós, geralmente produtos sintéticos produzidos a partir do petróleo cuja degradação chega, em muitos casos, a algumas centenas de anos.
Vê-se que a Grande Vitória não está imune ao que acontece no restante do mundo. Imagino a nossa situação daqui a vinte anos: não haverá água para irrigar as plantações, para saciar a sede dos animais; os peixes fluviais estarão extintos, a água potável ainda possível será bombeada de lençóis freáticos profundos e não há exagero algum em procurarmos desenvolver o tratamento da água do mar, dessalinizando e a tornando potável.
Se todos tomassem consciência de adotar hábitos saudáveis para o meio ambiente e reduzir gradativamente a queima de combustíveis fósseis. Controlar sistematicamente as queimadas, fazendo reflorestamentos com espécimes da flora natural, procurando cobrir prioritariamente com vegetação as bacias de captação de águas pluviais para que se reabasteçam os lençóis freáticos de modo que as nascentes voltem a fluir naquelas extintas e se conservem as que ainda subsistem; dar crédito e apoiar iniciativas como uma que acaba de ser divulgada sobre a transformação de resíduos de plásticos na produção de madeira sintética, poupando florestas que protegem a existência da água, que absorvem gases e equilibram o clima do planeta e ajudam na preservação de animais condenados à completa extinção. Apesar do estardalhaço que os cientistas vêm tratando esse assunto, parece não se tratar de problemas próprios dos terráqueos; parece ser uma visão ficcional de algum corpo celeste que estaria em vias de extinção.
Quem sabe, contando com a clemência do Onipotente que, vendo as tentativas da humanidade de preservar a vida nesta Terra, nos ajude reverter esta situação: faça voltar o gelo e a neve nos pólos e nas altas montanhas, não permitindo que os mares se elevem e destruam todos os litorais do planeta; faça com que chova regularmente, não permita que maremotos, terremotos e tempestades destruam cidades e populações; faça com que as florestas e os animais silvestres ocupem seus espaços, com que os peixes habitem tanto os rios quanto os mares; faça, enfim, que a vida seja preservada sobre esta Terra.
Há poucos dias testemunhamos a apreensão de água livremente vendida com qualidades de potabilidade duvidosa. São realmente de qualidade duvidosa estas águas envasadas e vendidas como se fossem águas com propriedades minerais, estas propriedades podem realmente estarem presentes. Mas há um fator que não deve ser descartado: águas obtidas de minas, apesar da aparente limpidez, podem conter microorganismos de origem vegetal e microbiana e ainda restos de matéria orgânica por serem provenientes de lençóis freáticos relativamente superficiais. Parece-nos a forma mais segura para o consumo da água de uso doméstico, utilizada tanto como bebida quanto para a preparação de alimentos, aquela fornecida tratada, depois de novamente tratada em filtros especiais que recolham impurezas. Tanto de resíduos sólidos, quanto de substâncias químicas provenientes do processo de saneamento.
Não deve ser descartada a reserva de águas pluviais, recolhidas de coberturas e depositadas em reservatórios preferencialmente subterrâneos. Essas águas reservadas servirão para uso geral em períodos de escassez.
Para o bombeamento de águas alternativas não deveria ser descartado o uso da energia eólica ou daquela produzida pela captação da energia solar.
As águas resultantes do tratamento de esgotos deveriam ser reutilizadas na irrigação de jardins, lavagem de veículos lavagem de pátios de empresas, praças de esportes e na limpeza de vias públicas.
Quanto às águas obtidas de lençóis freáticos profundos existe o risco da presença de arsênico, substância extremamente tóxica com o agravante de ser cancerígena.
Perdemos tempo precioso, apenas falando e prevendo esta catástrofe a que a humanidade a cada momento se expõe a um processo gradativo de extinção. Que tal tomar cada um de nós sua participação através da adoção de providências concretas. Como exemplo de participação, cito aquela história de um beija-flor que tentava combater um grande incêndio numa floresta com a água que conseguia transportar no bico. Alguém perguntou ao minúsculo pássaro de que adiantaria aquela pequena quantidade de água para combater um grande incêndio. Ele simplesmente respondeu: - "faço a minha parte".
Vila Velha, 02 de janeiro de 2008.
Onde há água, há vida. by Idomar Taufner is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Based on a work at taufner.blogspot.com.
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