terça-feira, 16 de dezembro de 2008

NOSSA VÁRZEA ALEGRE


Pois bem esta nossa Várzea Alegre, pequenina e linda tem paisagem privilegiada: dela podem ser vistas: a Pedra da Onça, um pico rochoso no limite dos municípios de Santa Teresa e de Itarana, local em que, em 1941, foi descoberta a maior jazida de águas-marinhas de que se têm notícias; a Pedra Alegre, de onde pode ser avistada a Cidade de Itarana; a Pedra Paulista, no limite de Santa Teresa com Itaguaçu, próxima Também do tríplice limite desses municípios com o de São Roque do Canaã. São visíveis ainda os adornos formados pela Pedra do “Charuto”, pelas pedreiras do riacho “Canudo”, a Serra do Toma Vento; as montanhas do “Caldeirão”, as montanhas do Santo Hilário, bem como o Vale do Rio Perdido, que fica aquém da Serra de Santa Júlia.
Várzea Alegre é terra fértil onde se alternam as culturas de café da variedade arábica e do famoso “Conilon”, terra que produz gêneros alimentícios como cereais, leguminosas, tubérculos e hortaliças, especialmente tomateiros.
Esta localidade é, também, a vila urbana que serve de sede ao Distrito de Alto Santa Maria, que é encravado na região sudoeste do Município de Santa Teresa, Estado do Espírito Santo.
Está-se escrevendo a história desta Várzea Alegre, tendo como colonizadores pioneiros membros das famílias de luso brasileiros, “Damasceno” e “Lima”. Estes foram seguidos por descendentes de europeus de origem germânica (alemães, pomeranos, holandeses austríacos) e de uma maioria de descendentes de imigrantes italianos.
Brevemente a história desta nossa Várzea Alegre será publicada neste blog.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

TORNEI-ME ASSASSINO

Isso já me aconteceu no passado. Tornei-me assassino acidentalmente, quando uma arma que eu portava disparou e atingiu meu melhor ex-amigo. Além de perder esse, toda a sua família deixou de me considerar amigo, se tornando todos eles meus desafetos. Também pudera! O que eu podia esperar a partir desse momento. Não tive sequer coragem de prestar socorro à vítima, não porque fosse esse o meu instinto. Foi por medo mesmo. Eles poderiam reagir violentamente, e até promoverem um linchamento, não me restando outra opção senão a de fugir.
Você, leitor, por acaso conhece a Cidade de Fundão? Pois foi ali que esse fato lamentável ocorreu. Bem se você me respondeu afirmativamente, devo lhe informar que saí correndo serra acima até a Cidade de Santa Teresa, que dista exatos vinte e oito quilômetros. Não fiquei ali, pois sentia que não tardaria ser alcançado, e aí... Bom nem pensar. Continuei caminhando a pé por mais trinta e cinco quilômetros até chegar à localidade de Várzea Alegre. Deveria encontrar um esconderijo e o fiz em casa de minha cunhada Demétria, que nessa época residia na mesma casa em que fiquei alojado quando Romélio e eu éramos sócios de uma farmácia. Ocupei o mesmo quarto de outrora, onde a atual cama ocupava a mesma posição. De nada adiantou ocupar esse esconderijo, pois não tardou que curiosos chegassem para indagar de Demétria porque eu estava escondido ali. Embora ela lhes dava respostas evasivas, mais e mais curiosos vinham e alguns chegaram até à janela do quarto para indagarem diretamente a mim; eu não lhes dava chance, fingindo dormir, coisa que eu não conseguia devido aos sentimentos simultâneos de culpa e de medo. E como li em algum livro: a notícia se espalhava como se fosse “num rastilho de pólvora”, levando a toda a população local conhecer toda a verdade. Assim, eu estava vulnerável tanto àqueles que me perseguiam quanto à polícia, que deveria estar no meu encalço.
Resolvi retornar até Santa Teresa. Ali deveria me sentir mais seguro, mas foi puro engano: quando passava pela rua, conhecidos, amigos e especialmente curiosos apontavam e, de dedo em riste e diziam:
- olhem aí o assassino!
E isso me deixava a cada vez mais ansioso, sentindo minha respiração ofegante aliada ao cansaço extenuante das longas caminhadas.
Cheguei à casa de Renato, sobrinho de Anésia. Ele havia colocado à frente da rua, que era naquele local em que antigamente funcionara a cadeia pública, montes de areia para serviriam como trincheiras no caso de sermos atacados pelas pessoas que me procuravam para fazerem justiça com as próprias mãos. Renato me entregou um revólver de marca famosa e uma espingarda calibre doze de repetição. Ele me orientou a que me postasse atrás desses montes de areia para me servirem de escudo no caso de troca de tiros. Fiquei ali por alguns instantes a sós, quando vi policiais militares sendo municiados com potentes armas como fuzis e metralhadoras. Não tive dúvidas: a força policial se dirigia na minha direção. Rapidamente escondi o armamento e me postei diante da casa, aguardando a chegada da força policial constituída por um militar que portava uma metralhadora e duas policiais femininas que traziam um pedaço de tecido de lona (imaginei que tal tecido serviria, caso eu reagisse, para me imobilizar como se fosse algo parecido a uma camisa de força). Assim que o grupo se aproximou, eu disse em voz alta:
- a quem procurais?
- é você que se chama Idomar?
- Positivo, respondi, elevando meus braços, numa atitude de entrega, como o fazem as pessoas quando abordadas para serem presas.
As duas policiais iniciaram simultaneamente: enquanto uma fazia minha identificação datiloscópica completa a outra me colocava suavemente um par de algemas. O que acabava de acontecer comigo? Estava preso e sob a custódia do Estado e isso me trouxe uma completa sensação de confortável segurança. Toda a ansiedade e o medo que sentia desapareceram completamente. Finalmente estava em paz. Será que esse sentimento ocorre comumente quando as pessoas são presas? Eu sabia perfeitamente que merecia ser julgado e até condenado pela morte do meu amigo; não pela intenção, porque ela não existiu, mas devia, sim, ser responsabilizado por minha negligência de portar uma arma sem qualquer necessidade: o uso de arma é restrito às pessoas que trabalhem na polícia, fazem serviço de segurança ou dela necessite para sua defesa em situações especiais.
Um fato que me chamou atenção eu o registro: as policiais femininas mostraram extrema competência ao me fazerem abordagem e prisão. Costumo dizer que o mundo sempre pertenceu às mulheres e elas não se cansam de demonstrar isso. Muitos fingem em não acreditar numa verdade axiomática.
Eu estava com a consciência em paz, porque seria julgado e seria castigado por crime de culpa; não de dolo, porque, realmente jamais tive intenção de fazer uso de arma, nem mesmo como instrumento de defesa. Afinal, defender-me do quê?
Apesar dos castigos de que resultariam do julgamento, havia algo que jamais seria compensado, por mais rigorosas que fossem as penas: nada faria com que meu amigo retornasse à vida.
Embora eu não tenha mencionado, essa história ocorreu em duas fases distintas: na primeira eu acordei. Na segunda só acordei quando o carrilhão instalado na cozinha tocou às seis horas da manhã, seguido imediatamente pelo despertador programado no celular de Anésia, minha esposa.

domingo, 14 de dezembro de 2008

MENSAGEM DE NATAL


O NATAL DE SEMPRE

Natal era a festa maior precedida das festividades dedicadas a Santa Luzia. Esta comemoração abria os festejos de final, passagem de ano e dos Santos Reis.
Na tarde de 12 de dezembro a gente saía, recolhendo porções da grama mais fresca que se encontrasse. E isso não era difícil, porque tanto nas beiradas dos caminhos quanto nos pastos que circundavam nossa casa lá da roça, grama era um capim abundante. Era necessário colocarmos nos pratos em que aguardávamos os presentes da santa, aquelas porções de grama para servirem de alimento ao seu “burrinho”, senão ela poderia não vir.
A vinte e quatro de dezembro, novamente colhíamos grama para alimentarmos aquelas renas que puxavam o trenó de Papai Noel que passaria durante essa noite do nascimento do Menino Jesus.
Na passagem do Ano Velho para o Ano Novo, o Ano Bom, nós colocávamos nossos pratos porque esse Ano Novo nos traria algum presente e, ainda, tínhamos mais uma oportunidade na noite de seis de janeiro – nessa data passariam os Reis Magos – os santos reis.
Uma coisa que nos deixava temerosos: a chuva que costumava cair copiosamente nessa época, porque o Rio Canudo quando enchia costumava não permitir passagem, nem mesmo para quem estivesse montado em burros ou cavalos. Felizmente tanto Santa Luzia quanto Papai Noel nunca deixou de nos visitar.
Num retrospecto, essas datas lembram os presentes que costumávamos ganhar: Na noite de Santa Luzia, poderiam vir algumas balas, ora daquelas fabricadas pela “Garoto”, umas no formato de bolinhas listradas, outras embrulhadas em papéis ilustrados com as figuras das frutas dos doces de que eram recheadas. Havia alguma vez que só vieram algumas balas no formato de pequenos ovos de açúcar colorido. No natal, além das balas doces costumeiras, houve alguma vez que ganhamos bombons e também barras de chocolate (até hoje quando sinto o aroma do chocolate, ele me faz lembrar a noite do Natal e as festas de final de ano). Na passagem de ano, houve vez que ganhamos cada um de nós, uma daquelas notas azuis de um cruzeiro. Mas na noite passagem dos Santos Reis, os presentes eram escassos. Ganhava-se nada mais que balas doces. Presentes como brinquedos, ou uma lata daqueles doces “quatro em um” (goiabada, marmelada, pessegada e bananada), só eram vistos nas casas dos nossos vizinhos, que tinham situação financeira melhor.
Mesmo nessa simplicidade das festas de Santa Luzia, do Natal, da passagem do Ano Velho para o Ano Novo e na passagem dos Santos Reis, havia um encantamento de magia e de fantasias próprias do nosso tempo de infância; nem se sonhava ainda com os pisca-piscas multicoloridos e toda essa sinfonia de músicas e de cores dos natais de hoje. Mas se vivia uma felicidade ímpar. Será que as crianças que estão nesses espaços outrora ocupados por nós, serão tão felizes quanto nós o fomos, quando comemoram essas festas? Tomara que sim! E até muito mais, porque o Natal será sempre a data maior do mundo infantil. Enquanto houver crianças, o Natal e as festas de final de ano ocorrerão com todas as fantasias do encantado mundo das crianças.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O MAR INSISTE EM AVANÇAR SOBRE VILA VELHA

Se não me engano esta seria a quarta vez que o mar invade Vila Velha. Choveu muito nesse terceiro decêndio de novembro de 2008, lembrando-me, inclusive, de uma tragédia ocorrida a 22 de novembro de 1966, há quarenta e dois anos, portanto. Na noite dessa data choveu tanto que as encostas do Canudo e do Toma Vento (localidades situadas no Município de Santa Teresa, ES), pareciam desabar literalmente. Para complicar houve queda de granizo, depositando-se nas baixadas de Várzea Alegre e permanecendo em estado sólido por mais de trinta dias. Felizmente naquela tragédia ocorrida em 1966, não houve, como agora nesta ocorrida no Estado de Santa Catarina, perdas de vidas humanas. Os prejuízos significativos se expressaram em perdas de plantações e de animais bovinos, eqüinos e muares
Com base na lei da conservação da matéria proclamada pelo princípio de Lavoisier de que: “Na natureza nada se cria e nada se perde; tudo se transforma”, pode-se ver que as notícias sombrias sobre o aumento dos níveis dos oceanos não implicam em que a natureza tenha obtido reforço nos estoques hídricos; eles apenas migram pela transformação que o degelo das calotas polares e das demais geleiras da Terra, tornadas líqüidas aumentem os níveis das massas dos oceanos e mares. Isto quer dizer que água em estado sólido se liquefez e se deslocou para os depósitos líqüidos.
Essas chuvas abundantes não poderiam de forma alguma ter influência nesse aumento repentino das águas do mar, que vi crescerem, encobrirem a Avenida Gil Veloso, inundar os estacionamentos do subsolo dos prédios da Praia da Costa e depois lentamente subindo e ocupando seguidamente os pavimentos inferiores de todos os prédios. Mas a água do mar tinha o colorido próprio da água-marinha, não daquele da gema preciosa, mas este da própria água do mar. Não sei distinguir se era azul esverdeada, ou verde azulada. Estes matizes cromáticos se faziam presentes e não havia marolas; só a água subia lenta e mansamente, não inspirando nada que fosse desastroso ou assombroso.
Outras vezes eu vi coisas semelhantes, mas esta recente me deixa certo de que o anúncio da elevação dos níveis dos oceanos e mares é coisa certa; embora freadas bruscamente as causas, mesmo assim não haveria como retroceder deste destino considerado unanimemente pelos cientistas como coisa certa e óbvia. Mas por que, esta visão me acompanha e me sugere aviso premonitório de coisas de um futuro que minhas vistas não alcançarão. Seria presunçoso afirmar que minhas visões se constituem em aviso para que a humanidade se previna, adote providências que possam postergar tais fatos. Por que esses avisos teriam que chegar a alguém que vive no anonimato da insignificância que tem minha pessoa? Essas coisas deveriam ser reveladas a pessoas que têm poder para influenciar opiniões, que têm poder para mudar rumos de acontecimentos, tanto na esfera econômica quanto na política. Também tudo isso deveria ser revelado a pessoas que têm influência nos meios de comunicação e, finalmente pessoas que tivessem autoridade para determinar mudanças no comportamento das pessoas, das organizações religiosas, das governamentais e de outras quaisquer.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

ORKUT, O QUE É ISTO?

Afinal o que é Orkut? É uma sociedade formada por pessoas e mantida pelo Google, criada pelo engenheiro turco Orkut Büyükkokten, que lhe emprestou o nome e tem como objetivo a aproximação de pessoas amigas para que se comuniquem através da rede internacional de computadores. Esse nome ocupa na atualidade o ranking dos assuntos mais procurados: é uma realidade, quer queiramos ou não; quer gostemos ou não.
Será que o nome ORKUT tem algo de especial que encanta milhões de internautas? O que explica tal fenômeno?
Em torno desse nome se unem pessoas idosas, pessoas maduras, pessoas jovens e crianças: todos entendem a linguagem tornada universal para que amigos se encontrem, amigos se tornem amigos dos amigos dos amigos...
A verdade é que a gente encontra gente que a gente quer encontrar; gente que a gente não gostaria de encontrar, mas só não se encontram nessa organização aqueles que relutam em não aceitá-la.
Para finalizar: existe algo de mágico no ORKUT?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

TRAGÉDIAS EM NOVEMBRO

Há quarenta e dois anos nesse mesmo dia em que o Estado de Santa Catarina sofreu a maior catástrofe da sua história, culminando com enchentes, deslizamentos de encostas, desabamentos de prédios, postes, destruição de tubulações de água, de gás, destruição de rodovias, de redes elétricas e de portos. Exatamente nesses 22 de novembro de 1966, uma tragédia de menores proporções, embora semelhante, se abatia sobre Várzea Alegre, trazendo abaixo florestas, plantações e animais oriundos das pedreiras do Canudo e do Toma Vento.

A semelhança singular desses acontecimentos demonstra o diferencial das proporções: essa daqui, eu a testemunhei num sonho ocorrido em agosto do ano de 1966, fato testemunhado por relato que fiz à minha esposa naquela manhã e comprovado na noite de 22 de novembro de 1966. A destruição alcançou lavouras de café, de cereais e uma casa residencial desocupada a tempo. Além da chuva torrencial e ventos de muitos quilômetros, caiu muito granizo visto até 30 dias depois do ocorrido; uma coisa diferente desta tragédia foi que aqui não houve a lamentável perda de vidas humanas como as que vimos em Santa Catarina em imagens registradas e gravadas na nossa mente, causando comoção coletiva. Esse fato está registrado detalhadamente no livro de minha autoria “Memórias 2ª edição”, tal como narrado aqui.

No ano passado, quando os noticiários estamparam manchetes sobre causas e conseqüências do aquecimento global, eu fiz ilações sobre o comportamento climático e dos possíveis acidentes catastróficos a nós reservados nesses próximos tempos, passando-me pela imaginação: o degelo das calotas polares e geleiras situadas sobre os picos mais elevados da terra, que farão com que os níveis dos oceanos se elevem e inundem todas as costas terrestres. O maior aquecimento provocará aumento na evaporação, gerando maiores concentrações de água em estado gasoso (nuvens) e a temperatura mais alta provocará maior intensidade na sublimação, gerando chuvas diluvianas, ventos velocíssimos, enchentes de rios que poderão inundar e arrastar tudo que exista nas áreas ribeirinhas. Chuvas intensas e constantes encharcarão as terras que deslizarão pelas montanhas abaixo. Com efeito, como se localizar nos pontos mais seguros? As áreas costeiras poderão ser inundadas, como vales por onde escorrem rios e riachos. Construir moradias nos altos das montanhas? Estas poderão vir abaixo trazidas por chuvas diluvianas. Erigir grandes moradias verticais? Elas poderão cair sob a força descomunal dos ventos de furacões, de tornados e de ciclones. Aonde, então, haverá maior segurança?

Se houver no futuro materiais flutuantes, se é que não existam adversidades ainda não imaginadas, parece que as edificações mais seguras seriam flutuantes, acrescendo também que, no caso de previsão de catástrofe em uma determinada área geográfica, poderiam ser arrastadas para locais mais seguros.

Acredito com a certeza de leigo que, embora desconheça verdades axiomáticas da ciência, escreve livremente o que pensa; talvez essa providência não traga grande contribuição, mas a vontade de ser útil me faz um intruso nas áreas onde pouco ou nada conheço. Não sei, mas se nada ocorre sem que Deus o permita, Ele me permite e eu escrevo sobre o que sei, talvez sobre o que penso que sei; minha vontade de ser útil suplanta minhas limitações. Portanto os conhecedores, ou seja, aqueles dotados do conhecimento que me perdoem a intromissão em assuntos tão complexos.