domingo, 5 de outubro de 2008

COMUNIDADE N. S. DO PERPÉTUO SOCORRO

COMUNIDADE NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO – P. DA COSTA – V. VELHA
A chegada de frei Hipólito
Hoje, 05.10.2008, pela segunda vez, frei Hipólito, frade franciscano egresso de São Paulo que veio ocupar a vaga deixada por frei Gilmar, transferido para outra paróquia, comparece a esta igreja para celebrar a Eucaristina. Também no pavimento superior da ala construída nos fundos da igreja, onde se realizam reuniões eclesiais e de catequese, neste momento, quatro seções eleitorais recolhem o sufrágio de algumas centenas de eleitores votantes neste pleito eleitoral. São disputadas nesses votos uma vaga de prefeito e dezessete vagas de vereador para o Município de Vila Velha. O movimento das seções eleitorais e a ansiedade sentida pela presença de novo sacerdote na comunidade e a transição climática fizeram deste dia sentir-se o prenúncio de mudanças: A troca de autoridades administrativas municipais e o anúncio da instalação da paróquia deixam em todos estes sentimentos de expectativas do novo e do ainda desconhecido.
Frei Hipólito é um padre exibe a calva rodeada por madeixas alvas como flocos de algodão, demonstrando vitalidade, contrastando com sua aparência madura. Dono de uma voz, daquela típica de locutor, quando fala ao microfone, expressa fielmente cada letra das locuções pronunciadas.
Percebe-se que tanto o padre quanto os dirigentes da comunidade, em apenas dois contatos, não tiveram tempo de dialogar sobre hábitos, especialmente estes realizados nas manhãs de domingo, que sempre foram mais ocupados por cultos destinados às crianças e aos jovens da Perseverança. Disse de cultos destinados às crianças, porém com maciça presença de fiéis da terceira idade. Quanto aos costumes específicos de como este padre conduz as celebrações, cujas características diferem em coisas mínimas, são coisas que, em diálogos breves podem ser equacionadas, o que evitaria desentrosamento. Assim todos se sentiriam a vontade. Vê-se que o padre acumula longa experiência no sacerdócio e demonstra claramente seu desejo de realizar um trabalho pastoral profícuo.

Notícias da instalação da paróquia
A notícia da instalação de uma paróquia na comunidade de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro ecoou na edição de “A Gazeta” do dia 21 de setembro passado, fato meramente de ato da organização administrativa da arquidiocese e de grande repercussão eclesiástica para os moradores da Praia da Costa, que passarão a contar com assistência pastoral efetiva com a constante presença de padre na comunidade.
O lamentável da notícia está na manchete em que o jornal faz insinuação da existência de controvérsias nas opiniões de pessoas entrevistadas, procurando distorcer conteúdos e lançando uma manchete de cunho sensacionalista, assim: “CRIAÇÃO DE NOVA PARÓQUIA DIVIDE OPINIÕES”. Com todo o respeito pelos profissionais que fazem da notícia, instrumento profissional que tem o precípuo objetivo de informar à opinião pública todos e quaisquer acontecimentos; lançar sectarismo não me parece coisa adequada, especialmente quando se trata das coisas de Deus.

BAIRRO DE SANTA CECÍLIA - COLATINA

Ofereci carona ao meu pai que se encontrava de passagem por Várzea Alegre. Ele não aceitou porque teria que passar por Santa Teresa, me garantindo que daí a 15 minutos estaria em Colatina. Nesse momento seguimos caminhos diversos: eu rumo a Colatina e meu pai a Santa Teresa; embora fosse o tempo de quinze minutos coisa insignificante, seguimos nossos caminhos para nos encontrarmos em Colatina, no Bairro de Santa Cecília, onde meu pai, Augusto Taufner fixou residência, depois que se casou com Delmyra Dalmaso, quando já contava com alguns anos viuvez causada com a morte de minha mãe, Felisbina da Silva Taufner, em 25 de novembro de 1960.
Não foi fácil chegar a essa cidade localizada às margens do Rio Doce, dividida pela Ponte Florentino Avidos, fazendo desta área urbana, na margem sul a parte central da cidade e do outro lado, no norte, o Bairro de São Silvano tão habitado quanto à parte sul da cidade. Não foi fácil concluir a viagem porque chovia, tornando aquelas estradas ainda não contempladas de pavimentação verdadeiros mares de lama, ora provocando atolamentos, ora deslizamentos tanto nas subidas, quanto nas descidas ameaçadoras de lançarmo-nos precipícios ao longo da beira daquela via, inclusive dentro do Rio Santa Maria que havia tomado muita água devido às copiosas chuvas dos últimos dias.
Enfim, para minha satisfação, acabava de chegar a Colatina, iniciando por uma elevação que precedia o Bairro de Vila Lenira. Agora era questão de poucos minutos, atingiria o centro da Cidade de Colatina e chegar a Santa Cecília. Para isso bastaria subir uma ladeira, deixando o carro estacionado na Av. Getúlio Vargas ou nas proximidades da ladeira que deveria subir a pé. Subindo, percebi que à esquerda da ladeira, em frente à casa adquirida por Alceu Martinelli, meu colega, havia uma parreira de chuchus, exibindo carga copiosa de frutos; como a ladeira estivesse escorregadia, colhi apenas não mais que três frutos. Do lado direito, também, havia outra parreira do mesmo vegetal, ainda não exibindo frutos por ser planta nova, conforme demonstravam as ramas pouco desenvolvidas.
Cerca de cinqüenta metros ainda era a distância que me separava da casa de meu pai. Será que ele já havia chegado? Isso realmente poderia ter ocorrido por que minha viagem havia sofrido pequeno atraso devido às dificuldades que me causaram as estradas enlameadas, Meu pai poderia ter viajado em carro mais potente e veloz. Não. Isso não acontecera, pois, vista a certa distância, a casa demonstrava estar fechada, não havendo quaisquer sinais que houvesse alguém em casa. Tudo ficou materializado quando me aproximei, encontrando minha meia irmã Anizete a quem dei notícia que eu chegava para permanecer alguns dias hospedado ali com eles, enquanto realizasse um trabalho de fiscalização de uma empresa nesta cidade, explicando à Anizete que nosso pai resolvera passar por Santa Teresa e que logo viria, seguramente após quinze minutos. Anizete me perguntou:
- Você trouxe chave, porque eu também não a tenho.
- A gente espera papai que garantia que não demoraria nada além de quinze minutos.
- olha pelo que sei de Santa Teresa ele irá para Fundão, onde minha mãe também se encontra.
- e você, Anizete, o que faz aqui sem a chave da casa?
- eu não preciso, pois estou hospedada em casa de uma amiga, enquanto eles permanecerem por lá.
- eles, quem?
- ué, meu pai, minha mãe a tia Angelina!
E agora, o que fazer? Devia me hospedar num dos hotéis, ignorando que meu pai, madrasta e a meia irmã residissem ali? Não. Teria que encontrar solução, porque se conseguisse abrir a casa, eu poderia me hospedar e ainda fazer companhia a Anizete. Foi o que fiz: procurei equacionar o problema e a solução veio com a presença de Palmerindo Dalmaso que se encontrava trabalhando nas proximidades. Inicialmente, ele propôs abrir uma pequena basculante de madeira por onde alguém poderia entrar para destrancar a casa por dentro. Eu não! Talvez Anizete. Mas pensando bem o que me custaria comprar uma fechadura dessas boas e substituir alguma das existentes nas portas, bastando para tal, que se fizesse arrombamento. Enquanto saí para ir à Casa do Anzol, comércio antigo de Colatina e pertencente à família “Scarton”, descendo a ladeira, não vi mais nada, tudo escureceu. Teria faltado energia, durante algum apagão, desses que são freqüentes durante temporais em que ocorrem quedas de raios. Nada disso havia acontecido. Percebi somente que nosso quarto estava às escuras nesta madrugada.

sábado, 4 de outubro de 2008

HISTÓRIAS (NOVAS OU VELHAS?)

Sempre me vem à mente, algumas histórias do passado remoto, outras da atualidade. Exemplo disso foi uma homenagem que recebi dos meus colegas de trabalho no Supermercado Carone. Trabalhei nessa empresa por vários anos, desliguei-me recentemente por ter concluído o curso de medicina, Diga-se de passagem: graças aos incentivos dos profissionais médicos da família Carone que, além de me incentivarem, ainda me concediam horários especiais e conciliatórios.
Jamais me esqueceria do patriarca da família: ele tinha o hábito de se sentar numa cadeira que ficava à frente dos balcões de congelados e de alimentos resfriados. Desse ponto, ele conversava com clientes e comigo, comentando sobre coisas que vira nos Estados Unidos da América, pois imigrara do Líbano e passara alguns anos trabalhando nessa nação americana. Dizia-me que naquele país, essa modalidade de auto-serviços destinados à venda de bens de consumo, tais como alimentos, materiais de limpeza e utilidades domésticas já eram coisa comum desde meados do século passado. Também me explicava que o bacalhau Saithe tinha como origem, além da Noruega também no Alaska, embora fosse um tipo de menor preço de cotação, na verdade, essa variedade devia ser considerada como de legítimo bacalhau. E não parava por aí: ele me falava como se devia preparar essas espécies de peixe salgadas.
Nesse dia de minha despedida, seu “Carone”, como era costumeira e carinhosamente chamado, agraciou-me com um aparelho de pressão de uma marca francesa, acompanhado de estetoscópio bi auricular da mesma etiqueta. Devo dizer que me senti muito feliz com a homenagem desse amigo. Seu filho Wiliam, seu sucessor, patrocinou uma festinha num salão da própria empresa e lá recebi, além de muitos abraços, uma placa de prata com dizeres, assim: “uma placa de prata para um colega que tem coração de ouro”.
Depois dessas homenagens, passei a pensar, a agir e me sentir, verdadeiramente como médico. Tiinha, agora, desafios a vencer: teria que trocar meu guarda roupas e guarnecê-lo com roupas, calçados, cintos; todas as peças do vestuário, na cor branca como recomenda o uso nesta profissão. Quanto a sentir-me como médico, não era coisa, assim, tão fácil, eu havia acumulado teoria; na prática, eu me sentia inseguro. Pensava: devo procurar socorro com doutor Leandro, que já me socorre nas coisas de informático; nesses assuntos de medicina, tenho certeza que sua colaboração não me faltará. E, assim, aos poucos fui me integrando, ora nos plantões no Hospital São Lucas, ora atendendo num ambulatório da Prefeitura Municipal de Vila Velha, desta forma ia me tornando capacitado a exercer a medicina legalmente; não como eu fizera no passado, época em que exerci, como titular, o funcionamento de um posto de socorro farmacêutico. Nessa época pratiquei alguns procedimentos, sempre considerados privativos da medicina. Na verdade, embora não existisse profissionais legalmente habilitados nessa localidade, eu exercera atos médicos desprotegidos do amparo legal.
Agora há uma história nunca vista: eu fazia parte de uma sociedade secreta, que celebrava a iniciação de três mulheres de forma peculiar: as candidatas a figurarem no quadro de associados, vestiam-se com “burcas” nas quais nem seus olhos eram vistos e sua visão era impedida por vendas, que somente seriam retiradas depois de finalizadas todas as cerimônias. OS trabalhos se estenderam desde o fim da tarde até meia noite em ponto.
Durante essas cerimônias solenes, todos os membros da organização presentes, inclusive eu, recebemos quepes novos e afiadíssimas espadas. Nossos uniformes de gala se compunham de fardas azuis marinho, repletas de botões metálicos dourados, espadas e quepes brancos. As mulheres que se iniciavam na associação, além de terem os olhos vendados permaneceram o tempo todo deitadas de bruços, ficando, assim, totalmente impedidas de verem quaisquer das pessoas que estivessem presentes. Ao final das cerimônias, encarregaram-me de fazer entrega às novas associadas de vestidos azuis marinho, semelhantes às fardas militares femininas, quepes brancos, um manual de instruções e uma afiada adaga. Em todas as reuniões formais, essas mulheres deveriam fazer uso desses uniformes e portar, além do manual de instruções individual, a adaga.
Concluída a primeira parte, agora num grande salão, todos deveriam se postar ao lado de três grandes mesas, servir-se de alimentos e bebidas especialmente distribuídas para esta ocasião. Enquanto isso, alguns oradores se revezariam, expressando boas vindas às recém admitidas na associação e distribuindo generosas homenagens aos seus familiares e amigos convidados presentes.
Apesar de ser noite festiva, sentia como se Anésia estivesse a se queixar de algum desconforto durante toda essa noite. Coisa que cessou quando acordamos nesta madrugada. Hoje indaguei Anésia se de fato sentira algum tipo de desconforto ou de contrariedade durante essa noite, respondendo simplesmente: “de nada me lembro, pois esta foi uma das noites que dormi melhor”.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

MINHAS EXPERIÊNCIAS EM CAVALGAR

A primeira vez que cavalguei foi num burro chamado “Douradinho”. Estava em férias pela segunda vez, época em que estivera internado no Seminário dos padres capuchinos em Santa Teresa. Devia ser janeiro de 1955, num desses escaldantes dias de verão. Arreei aquele famoso burro, que Sebastião Gujanski, nosso empregado montava impreterivelmente aos domingos, quando passava dias inteiros bebericando pelas vendas localizadas no Patrimônio de Várzea Alegre. Esse hábito continuado durante alguns anos provocou um efeito memória (se é que burro a tem), fazendo com que o animal seguisse invariavelmente ao patrimônio nas manhãs dos domingos e retornasse da mesma forma nas tardes.
Nesse dia contrariei os hábitos desse animal, fazendo com que seguisse pelo caminho que, numa encruzilhada à esquerda, passasse em frente à casa de Guilherme Zanotti, depois à de Antônio Roccon. Eu passava por esse caminho para chegar finalmente à casa de Tia Darcisa. Pois bem, mal conseguir chegar à encruzilhada em frente à casa do Roccon; desse ponto não conseguir fazer com que o burro avançasse um só milímetro em frente. Depois de Algumas tentativas, batendo no animal com uma tala de couro, cutucando com esporas, de repente o muar se moveu. Fez vários movimentos bruscos, saltando de forma cruzada e senti quando minha cabeça tocou violentamente o chão. Depois que o danado se livrou de mim, ficou parado ali mesmo, demonstrando toda a mansidão que o caracterizava.
Foi nesse dia que experimentei a dura vida dos peões de rodeio; eu peguei o cabresto e conduzi o animal de volta a casa. Senti-me envergonhado por não conseguir cavalgar no “Douradinho”. Fiz minha visita à tia, mas a pé. Por muito tempo não tive coragem de cavalgar novamente.
Depois de três anos, retornei abandonando o curso de ensino industrial básico que fazia na Escola Técnica Federal para trabalhar com João Romélio Zonta numa farmácia que haviam montado em sociedade com meu pai. A farmácia possuía um cavalo de montaria, destinado a servir de meio de locomoção para Romélio nas visitas que fazia aos enfermos no entorno de Várzea Alegre, Toma Vento, Alto Caldeirão, Caldeirão, Alto Tabocas, chegando a Valsugana. Constantemente, utilizando esse meio de transporte, ele visitava seus familiares no Patrimônio de Santo Antônio, hoje Santo Antônio do Canaã, como esta localidade passou a ser chamada. Também visitava enfermos em todo o vale do Rio Santa Maria, Barra do córrego Tabocas, Vale do Rio Perdido, São Paulo do Rio Perdido, Itanhanga, Córrego Frio, Pedra alegre, Alto várzea Alegre e Pedra da Onça.
Nos primeiros tempos do meu trabalho, enquanto Romélio fazia essas visitas quase que diariamente eu permanecia trabalhando no estabelecimento da farmácia que tinha a denominação de “Farmácia Nova”; chegou o momento que também eu tive que percorrer todas essas localidades, também cavalgando; nessa época eu não visitava enfermos: minhas visitas se destinavam a fazer cobranças para receber valores de clientes que compravam a prazo na farmácia. Às vezes, viajava dias inteiros e não conseguia receber um centavo sequer; Foi uma época que os moradores da região tinham como opção de rendas o cultivo de lavouras cafeeiras, desprovido de técnica e de tratamento de correção dos solos e ainda não se usavam fertilizantes, causando produção insignificante e não eram raros a incidência de um tipo de inseto – a broca, que danificava os grãos do café, reduzindo a produção agravada pela má qualidade de produto, tanto pelos estragos causados pelas pragas como pela forma antiquada como eram feitas as cultura. Outro fator que desencadeava renda minguada era a monocultura do milho como opção de exploração agrícola. Terrenos de topografia acidentada não permitiam o uso de máquinas, e o trabalho braçal não trazia recompensa satisfatória. Por tais motivos, a população de agricultores passava por época de crise, não tendo como honrar compromissos com fornecedores.
A população rural não contava com serviços públicos de assistência à saúde, nem tinha amparo de previdência social, dependendo do nosso atendimento de urgência e emergências domiciliares feitas a cavalo. E o pior para nós: dificilmente recebíamos a maioria dos nossos créditos resultantes desses atendimentos e fornecimento de medicamentos. Esses foram os motivos de tantas viagens a cavalo. Havia, ainda, escassas estradas por onde podiam circular automóveis. Que automóveis? Objetos raros, que burros, mulas e cavalos supriam sua falta.
Mas voltando a falar sobre o uso de animais eqüinos e muares destinados à locomoção, havia passeios por ocasião de festas nas comunidades adjacentes e de visitas às namoradas. Apesar das poucas namoradas que tive a opção de visitá-las se fazia por intermédio das montarias, ora no burro “Ruão” ou no cavalo “Queimado”. Essa prática durou alguns anos, mesmo depois que a farmácia esteve sob minha inteira responsabilidade, quando que meu pai adquiriu a parte societária que pertencia a Romélio. Essas coisas me fazem lembrar um fato que atendi a um enfermo na localidade de Pedra da Onça, indo ao local cavalgando no “Queimado” por volta da meia noite, ocasião que a escuridão total dominava a estrada e o pior: para o retorno, não tive companhia de outra pessoa, pois tiveram que conduzir o doente até a Praça Oito, carregado-o numa padiola com lençóis atados a varões de madeira. Pela sintomatologia, o paciente demonstrava sintomas de apendicite, confirmado pelo médico que lhe fez a cirurgia, já agravada com supuração.
Com minhas experiências nessas cavalgadas, aprendi a arrear os animais, iniciando com a pegada no pasto, a colocação do arreios, compostos por sela, rabicho, peitoral, cia, barrigueira, peitoral, sela, cabresto e as rédeas e seus freios. Eu sabia como arrear um animal, de modo que ficasse pronto para cavalgar.
Acontecia com um animal de sela um fato em que me faz lembrar: quando realizava o seu arreamento, no momento em que apertava a barrigueira o bicho estufava a barriga de tal modo que, depois, tornava o abdome à posição normal, necessitando repetir a operação para que a sela ficasse firmemente assentada.
Essas, portanto foram minhas experiências na equitação, embora tenham ocorrido há mais de cinqüenta anos, sua lembrança me traz de volta um tempo que coisas simples tinham importância especial.

O CASO DO CONVENTO NAS ELEIÇÕES (II)

Postada Matéria com o título acima, em 01.10.2008, percebeu-se a necessidade da imagem do convento ser colada junto com a matéria publicada no “INFORMATIVO PREFEITO NEUCIMAR FRAGA 22 – SETEMBRO 2008 – EDIÇÃO I”, página 12. Assim, o que se disse na postagem do dia 1º de outubro é comprovado agora com a inserção, tanto das imagens, quanto do texto original e integral da matéria enfocada.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O CASO DO CONVENTO NAS ELEIÇÕES

Neucimar,
Inicialmente aceite meus parabéns pela brilhante campanha eleitoral que faz rumo à Prefeitura desta “Terra dos Canelas Verdes”. Não se sabe a origem; corre um boato que eleito, Neucimar encerraria as festas no Convento da Penha, coisa maldosa e infundada e típica dos boatos da “guerra eleitoral”. Se não bastasse, quando o ilustre candidato defende símbolos da terra como ícones capazes de impulsionar o turismo – sua intenção manifestada no Informativo Prefeito Neucimar Fraga 22 página 12 da Edição I, o Convento Nossa Senhora da Penha, considerado ponto turístico para alguns e símbolo de fé para católicos devotos, volta-se novamente a demonstrar que o mesmo não contempla seus preitos. Vejamos como a diagramação colocou o “Convento” em posição de desequilíbrio, faltando mantê-lo no prumo que tem rumo ao céu.
Pois bem, o convento, mais uma vez, vem demonstrar imagem distorcida que, temos certeza, Vossa Senhoria não comunga.

NOITE DE FESTA

Chegamos ao local onde funcionava a casa de festas e logo fomos atendidos, inicialmente numa grande loja de aluguel de trajes típicos para danças diversas: vestidos longos de tecido leve e esvoaçante para serem usados na dança de valsa que acontecia num salão localizado, a partir dos fundos, no final de um corredor com duas filas de boxes provadores, um para o público feminino e outro para o masculino. Zenóbia/Preto, Bel/Enéias, Arlete/Antônio, Anésia e eu, locamos roupas para dançar valsa. As mulheres com aquelas vestimentas já mencionadas, enquanto que nós, homens, vestimos ternos escuros com os famosos “Smokings” e gravatas do tipo “borboleta” (no fino Estilo “Black tie”). Isso é que recomendava o cerimonial dessa casa de espetáculos.
Nossos casais se exibiram em danças de valsas ao som de instrumentos de corda, acompanhados por instrumentos de sopro como clarinetas e saxofones, produzindo valsas dos clássicos vienenses. Ao lado do salão onde nos exibíamos, um serviço de bufê fornecia finos alimentos e bebidas, onde os participantes se refestelavam durante momentos de descanso nos intervalos entre uma e outra seção de melodias clássicas.
Acima, num plano superior, havia outro salão de onde emanavam sons de músicas populares de ritmos diversos. Para esse ambiente o pessoal que chegava também se dirigia à loja para se paramentarem com trajes típicos conforme o tipo de música que se disponibilizava para os casais dançarem. Nessa noite, esse ambiente se prestava às músicas originárias do nordeste brasileiro. Como trajes típicos nordestinos, tanto homens como mulheres exibiam aqueles chapéus de couro e as jaquetas semelhantes às usadas pelo povo do cangaço. Nesse ambiente de danças do salão situado no plano superior, ao contrário do bufê anexo ao salão situado do lado direito no pavimento inferior, havia um local situado ao lado esquerdo que servia iguarias da culinária nordestina, tais como macaxeira frita com jabá e jerimum, cachaça da “Boa” e buchada de bode condimentada generosamente com a vermelha e cheirosa pimenta malagueta.
Nem mesmo na época da juventude experimentei participar de baile tão sofisticado quanto este. Foi coisa para deixar saudade: Anésia e eu, vestidos a caráter, parecíamos flutuar por aquele imenso salão, coisa tão prazerosa que jamais gostaria que se tivesse encerrado naquele início de manhã quando a claridade dava sinais de que o sol não tardaria despontar no horizonte do imenso oceano.
Certamente, assim que tenhamos novas oportunidades, voltaremos a esse local para nos divertirmos durante noites e madrugadas afora.