sexta-feira, 29 de agosto de 2008

PASSEANDO NA MADRUGADA

Viajar e fazer passeios durante a noite e madrugadas, a nós, Anésia e eu, parece ser coisa normal. Desta vez estivemos em Santa Teresa na companhia de meu cunhado Antônio Scottá. Depois de algumas visitas a pessoas amigas, aproximava-se ao meio dia, seria o bastante que aquele antigo relógio postado sobre a torre da igreja matriz badalasse por doze vezes seguidas para que indicasse o horário certo que marcava. Não tínhamos dúvidas, deveríamos procurar um local para almoçarmos. Foi seguindo na direção ao alto da Serra do Canaã que chegamos a um desses locais que serve comidas no modo self service. Mas esse irmão de Anésia, meu cunhado, depois de examinar o restaurante do tal Zanotelli, concluiu que o local não era apropriado. De fato era um desses locais aonde não existiam mesas e nem cadeiras para que os comensais pudessem se acomodar. E as comidas? Sei lá! Pareciam estranhas. Coisas que, com toda minha experiência, jamais havia visto.
Com isso, ele nos convidou a que retornássemos ao centro da cidade para fazermos nossa refeição no restaurante de Atílio Bringhenti, também estranho, mas se era do gosto de Antônio, nosso anfitrião, deveria ser bom, assim ele o afirmava. Com isso tomamos pratos, servimo-nos num balcão que exibia expostos alguns alimentos, dos quais assados de carnes bovinas, suínas e de aves; mais saladas e massas. Enchi meu prato o máximo que nele podia conter, pesei-o numa balança, sentei-me numa cadeira postada à cabeceira de uma grande mesa e iniciei a refeição. Apesar da boa aparência dos alimentos, o sabor não era o melhor. Comia, mastigando tudo, e o prato parecia nunca se esvaziar, eu sentia, desde o início, sensação de plenitude gástrica. A melhor coisa, que parecia que pudesse acontecer, seria o término daquela refeição que se parecia infindável. Abandonar o prato praticamente cheio era coisa que me levava a dar explicações; podia aparentar que eu tivesse visto algo de estranho naqueles alimentos. De qualquer forma, seu Atílio poderia se sentir ofendido ou constrangido. Explicar que eu enchera o prato demasiadamente, por melhor que fosse a explicação, sempre ficaria alguma dúvida, ou melhor, existem coisas para as quais não existe explicação: todas são ruins ou piores. Mas vá lá, com muito custo, cheguei ao fim. O que sentia com isso. Bom, melhor que esqueçamos o assunto e na próxima vez não devo encher o prato além do meu apetite.
Continuando nossa visita (bom que eu não tivesse causado alguma coisa inexplicável), em conversa com o senhor Atílio, ele propôs vender-me seu sítio, eu concordei com o preço e fechei negócio. Comprei sua terra daquela forma que se diz “de porteira fechada”, ou seja, com todos os pertences, inclusive algumas antiguidades daquelas coisas trazidas da Europa pelos seus ancestrais. Dentre essas coisas, havia um relógio “carrilhão” fabricado na Alemanha antes da primeira guerra mundial, uma balança, provavelmente importada da Inglaterra. Esse artefato, utilizado para medir massa de coisas como café, feijão e de outros bens que se compram e se vendem a peso. As características das antiguidades eram marcantes: o relógio media cerca de dois metros de altura e seu mostrador ostentava uma peça de puríssimo cristal, com detalhes gravados a ouro; a balança, que tinha capacidade para pesar duzentos quilogramas, tinha um prato oscilante que se apoiava sobre uma base, também oscilante, ambas guarnecidas por sensíveis roldanas metálicas. Afora essas coisas, todo o mobiliário exibia peças trabalhadas, entalhadas, torneadas nas mais puras essências naturais como jacarandá, peroba do campo, cedro, vinhático e cerejeira. Nem cheguei a conhecer as demais coisas pertencentes a esse sítio. Depois, quando o dia amanhecesse, como sói acontecer, eu deveria me lembrar de tudo, tornando possível este registro.

sábado, 16 de agosto de 2008

QUAL SERÁ O DESTINO DA HUMANIDADE?

Como será a vida após a morte?
Somente Deus tem resposta para tal indagação. Mas, lendo no Apocalipse e nos Evangelhos de Nosso Senhor Jesus Cristo, existem afirmações e indagações. Especulações sempre existiram e, de minha exclusiva ilação, entendo que a forma de vida tal como nós a conhecemos, é finita; é perene e eterna a vida etérea, essa de outra dimensão, que não se alimenta de coisas materiais, que não tem forma material, mas qual seria sua forma? Parece-me, neste pensamento que me sinto diante de um abismo intransponível. Mas se existe outro lado, como se faz para chegar lá? Não se pode chegar? Para se chegar a essa dimensão, existem exigências e requisitos? Pela crença axiomática do espiritualismo, só a morte deste corpo corruptível seria o pré-requisito essencial. Porque não se têm notícias de como é tal dimensão? Na crença cristã há a certeza que no fim dos tempos ressurgiremos da morte estática da matéria para viver eternamente segundo nossos méritos alcançados durante a existência material. Para alguns a forma de vida será a do gozo eterno, das delícias de um paraíso que não mais experimentará a morte, porque esses seres viveram optando pelos preceitos da Lei de Deus; enquanto que outros sofrerão o castigo eterno por terem optado pela prática de atos contrários a Deus, ou seja, pelo pecado.
Se o próprio Jesus Cristo na condição da divindade de Filho de Deus, afirmou que esse mistério somente o Pai conhece. De que nos adianta especular? Parece-me óbvio que apenas um caminho serve para que se obtenha a recompensa da vida eterna: o cumprimento irrestrito das Leis de Deus, com isto pode-se receber de Deus a consideração de criatura sua. Àqueles que, trilhando os caminhos da desobediência, por sua livre escolha, abdicam da qualidade de filhos de Deus, deixarão de viver a verdadeira comunhão. Tais premissas nos conduzem ao silogismo aristotélico, conduzindo-nos à conclusão de que o caminho, neste final, se bifurca em recompensa ou castigo.
Há correntes espiritualistas que pregam as sucessivas reencarnações dos espíritos. Cada reencarnado estaria buscando sua perfeição e até que tal aperfeiçoamento não se consumar, permanecerão retornando à vida carnal, sucessivamente. O cristianismo concebe vez única para a concepção de cada espírito, ou seja, a individualidade única, universal e singular.

Até quando haverá vida no planeta Terra?
As palavras proféticas de significado simbólico e hermético do Apocalipse, desde que escrito por revelação, demonstram sinais de acontecimentos, sistematizando o fim dos tempos. De vez em quando algum grupo entende que esse tempo já chegou. Arriscam previsões de datas, analisando etapas vencidas para que a consumação dos tempos se viabilize. Essas profecias não se cumpriram porque a hora ainda não é chegada. Independente do anunciado fim, há fatos concretos para que a hecatombe final da humanidade já tivesse acontecido há algumas décadas, quando os arsenais bélicos de armas de destruição em massa atingiram valores de destruição capazes de por fim a toda vida.
Sem contar com essa possibilidade de destruição total pelas armas, inexoravelmente sentimos que os caminhos que nos levam ao fim são múltiplos. Primeiramente ouvimos notícias de que a camada de ozônio está sendo destruída por causa de certos gases produzidos pelo homem. Este ozônio serve como filtro aos raios ultravioleta, que incidindo sobre os seres vivos lhes causa malefícios. Zooplancto e fitoplancto estariam em processo de destruição causada pela incidência direta desses raios, também animais e vegetais maiores estariam sofrendo com a escassez das fontes primárias da cadeia alimentar e outras mazelas como o aumento do câncer de pele e deformidades genéticas nos alimentos de origem vegetal.
É impossível dissociar-se a alimentação humana dessa cadeia e isto, talvez, seja uma das causas da baixa produção de alimentos contrastada com a demanda crescente motivada ora pelo crescente aumento populacional vegetativo, ora pela demanda em razão do aumento do poder de consumo que o progresso econômico traz.
As mudanças climáticas representam fatores contribuintes para a queda na produção de alimentos. Há momentos de escassez de chuvas numa região; enquanto que os excessos em regiões produtoras diversas contribuem da mesma forma para a baixa produtividade. Esses eventos climáticos tanto reduzem recursos hídricos de lençóis freáticos, como a água excessiva arrasta as camadas férteis do solo, trazendo o conseqüente assoreamento de cursos de água, lagos e lagoas, causando inviabilidade para as populações de seres aquáticos, influenciando também a falta de regularidade para as culturas irrigáveis. Uma coisa a ser considerada não é falta nem escassez de água, pois sua quantidade é imutável. O problema reside exatamente na forma como são distribuídos os recursos hídricos, podendo oceanos e mares ter seus níveis aumentados como causa direta do degelo; enquanto esse mesmo degelo venha baixar os níveis das bacias de água doce.
A vida na terra poderá extinguir-se acidentalmente por causa de coisas produzidas pelo homem, por processos naturais conhecidos ou não. O exemplo da hipótese de que os dinossauros tenham sido dizimados por causa da queda de descomunais meteoritos, pode também, vir a ocorrer com os viventes atuais (há, conforme é noticiado, um corpo celeste em rota de colisão com a terra. Haveria chances de que o mesmo tivesse sua rota desviada, pudesse ser destruído a tempo ou o choque seria inevitável?). Se alguma força descomunal, ainda desconhecida, eclodisse do centro do planeta, também poderia significar o fim de tudo? E se o Sol se apagasse? (isso parece viável, pois a energia produzida por este corpo celeste pode ser finita).
Mas, enquanto sobrevivemos às probabilidades matemáticas, há outros fatores que não podem ser descartados por causa da extinção de:
- ozônio
- vegetais.
- de alimentos de origem animal.
- de medicamentos.
- de oxigênio.
A extinção desses bens se dará lentamente (assim pensamos), enquanto a humanidade deve estudar a produção de aparelhos que sejam capazes, a partir do carbono e da água processar algo igual ou semelhante à fotossíntese, produzindo carboidratos, proteínas e oxigênio. Também não é demais imaginar tecnologias capazes de adaptação do organismo dos seres vivos a novas formas de nutrição, incluídas nessas as fontes energéticas emanadas do próprio sol (Que tal uma sopinha de elétrons e nêutrons? Não se assuste o leitor, trata-se, neste caso, apenas de humor para algo sério).
Algo a ser levado em consideração é a possibilidade a cada vez maior do surgimento de novas enfermidades causadas pelas constantes e rápidas mutações, tanto doenças, cuja cura seja desconhecida, como o próprio organismo mutado venha se tornar incapaz de curar-se de insignificantes males conhecidos hoje.
Espero que este meu artigo não seja considerado heresia. Peço desculpas e perdão àqueles que conheçam com propriedade e perícia os assuntos que ousei falar. Apenas espero contribuir com meus pensamentos (às vezes extravagantes), para que, pessoas responsáveis e preocupadas com nosso destino neste universo, raciocinem sabiamente.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

UMA BRASÍLIA "PRODUZIDA"

Quem não conheceu a Brasília, carro que a Volkswagen produziu durante alguns anos? Pois foi uma dessas que eu adquiri nesta noite passada. Desta vez um exemplar desse famoso auto fora completamente repaginado, desde suas latas que foram substituídas por potentes lâminas de fibra de vidro instaladas sobre estrutura resistente, provavelmente utilizando trefilados de fibra de carbono. Peças internas se compunham de formas arrojadas, especialmente produzidas e personalizadas, muitas exibindo desenhos arrojados em aço inoxidável, algumas polidas; outras escovadas e foscas. Detalhes importantes consistiam no desenho e nos materiais utilizados nos retrovisores externos movidos por controle remoto. Também os faróis e lâmpadas internas tinham formas futuristas, semelhantes àqueles que são exibidos em naves espaciais fictícias. Até os pedais de embreagem, de freios e de acelerador, além do arrojo dos seus desenhos, tudo era feito de aço inoxidável. Vejam que esse veículo ainda trazia inovações na motorização, substituindo aquele velho e ruidoso motor VW 1.600 refrigerado a ar por potente máquina que, acelerada desenvolvia potência veloz semelhante aos carros de corrida da “Fórmula 1”.
Nem é preciso dizer que eu adquiri essa “máquina” numa permuta em que entreguei meu automóvel Mercedes Benz Classe A, modelo e ano 2000, voltando uma diferença em boa quantia de reais, alguns milhares certamente.
Agora é vez de falarmos sobre o teste que fizemos com essa máquina superproduzida – viagem de Várzea Alegre a Colatina, feita em companhia de Preto Scotá e de Edgard. Edgard e eu faríamos visita ao meu pai, enquanto que Preto faria compras de alguma utilidade para as suas culturas, talvez até alguma peça para o trator ou para o sistema de irrigação de suas plantações.
A viagem começou assim: eu me coloquei na posição de motorista condutor daquela preciosidade. Ao sentar-me, tive que fazer aproximação do banco, pois naquela posição eu não conseguia alcançar os pedais de embreagem, de freio e de acelerador. Ajustei-me à posição e acionei o motor daquela máquina. Curiosamente, agora teria que voltar ao uso de embreagem para cambiar as marchas. Tive este e outros cuidados de não cometer erros na condução do veículo. Enveredamos pela nova pista asfáltica, podendo agora trafegar sobre pista negra e lisa até Colatina ou até mais longe.
Ah sim! Ia me esquecendo que não consegui renovar minha CNH. Dirigir veículo agora seria grave infração às leis de trânsito, mas não podia me esquecer de que me faziam companhia dois dos melhores motoristas que já conheci: Preto e Edgard. Qualquer dúvida no caso de alguma ocorrência, eu poderia transferir a direção a qualquer um dos dois. Mas, o mais importante mesmo é que eu guiando o veículo poderia estar sujeitando meus companheiros aos riscos de uma direção temerária. Ainda assim, eu continuei guiando até chegarmos a Colatina. Durante o trajeto, observei que o carro era extremamente sensível ao acelerador, desenvolvendo velocidade rapidamente. Percebi também que, apesar de estar equipado com pedal de embreagem, podia fazer mudanças de marchas sem o uso desse mecanismo.
Enfim chegamos ao centro da Cidade de Colatina. Nas proximidades da farmácia de Lourenço Bosi havia um semáforo com luzes indicando várias opções de direção do tráfego, mas agora todas mostravam sinal vermelho e uma seta apontava para um desvio à esquerda como única opção. Nesse momento perguntei ao Preto:
- onde você prefere ir primeiro? Respondeu-me, apontando para uma elevação:
- ali naquele alto, perto da igrejinha.
Dirigimo-nos para o local e no primeiro cruzamento, alguém passou à nossa frente com um automóvel em alta velocidade. Por nossa sorte não colidimos. O acidente, caso tivesse ocorrido, quem seria o culpado? Certamente aquele motorista que dirigia com habilitação vencida. Nesse momento, percebi que deveria ter confiado a direção a um dos motoristas que me acompanhavam. Continuei rumo àquela elevação e Preto, quando passávamos em frente a um moderno hospital, pediu-me que fizesse retorno e entrasse por uma rua estreita a esquerda que se finalizava em frente a uma varanda. Mal chegamos Preto entrou por uma porta, quando fechada podia-se ler: “WC”. Enquanto isso veio até nós um senhor que me perguntou:
- em que lhes posso ser útil?
- em nada não. Apenas aguardamos meu cunhado Preto, que, necessitando algo urgente entrou por esta porta, indicando-lhe aquele local citado.
É meu costume logo saber com quem falo, indaguei:
- E o senhor quem é? Obtive como resposta:
- trabalho nesta clínica como administrador.
Indaguei novamente:
- é de que família?
- da família Binda, desses que residem em São João Grande, localidade próxima a Itapina e situada além da margem ao norte do Rio Doce.
- Você sabe que todos dessa família Binda descendem do mesmo patriarca Zefiro Binda. Passei no Alto Limoeiro há poucos dias e fotografei o imóvel centenário em que essa família residiu nos primeiros tempos da colonização do Município de Itaguaçu, de lá migrando para Itapina, Colatina e para outras localidades do norte capixaba, eu disse.
- Sei sim, disse-me ele, acrescentando que gostaria de obter uma cópia da foto daquela antiga sede da família.
- Dê-me seu endereço eletrônico que a envio por e-mail, assim que chegar a casa, disse.
Nesse momento, entrou uma pessoa apressadamente e bateu àquela porta do WC e Preto saiu, dando oportunidade a mais um “apertado” a que solucionasse seu problema.
Estando novamente livres nos dirigimos ao centro da cidade para subir pela Rua Humberto Campos, seguir transversalmente pelo Bairro de Bela Vista para chegar ao Alto de Santa Cecília, onde residia meu pai. Não tenho lembrança de ter chegado à casa de meu pai, nem tampouco a outro lugar qualquer, me lembro, isto sim, que fazia frio nesta madrugada.

Origem do nome e comparações
Brasília foi o nome escolhido para um tipo de viatura produzida no Brasil pela Volkswagen, a partir da década de 1970. Sua aparência resultou de desenho rompendo o convencional tal como o da cidade de onde seu nome veio como inspiração – Brasília, a capital de república brasileira inaugurada oficialmente no início da década de 1960.
Tal como a cidade de que se originou o nome, esse carro demonstrou uma inovação de aparência na imagem e ambas demonstraram vulnerabilidade na aparência; uma apodrecia rapidamente pela ação da ferrugem; a outra, logo também, mostrou resultados aparentes da degradação ética dos costumes, corrompida pela ação da falta de conservação de modo de vida. As duas representaram centro de atenções, uma como novidade de veículo de transporte e locomoção e símbolo de ascensão social; a outra, como centro das atenções e ascensão ao Poder, centro das decisões que determinam os destinos dos cidadãos e da própria Nação. Em algumas comparações, ambas são idênticas: podem apresentar defeitos de construção, mau funcionamento de componentes, não têm transmissões automáticas; uma nunca teve câmbio automático, a outra o poder não se transmite automaticamente: houve caso de troca do poder pela força, ou seja, pela truculência.
Será que se ambas receberem tratamento serão recuperáveis, se produzidas com inovações mecânicas, pintura nova, modernos acessórios (o carro); injeções de princípios éticos, de novos costumes, de nova ordem educacional, de automatização na troca do poder de que dela emana de seriedade de propósitos, de aprimoramento urbanístico que se esparramasse pelo Brasil desde o centro aos eixos polares de toda a nação brasileira (a Cidade Capital); ambas ainda teriam “conserto” ou “concerto”? A primeira se conserto tivesse não seria com “c”, seria com “s”. A segunda, quem sabe, poderia ter ambos.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

RESUMO DE LIVRO

RESUMO DO LIVRO MEMÓRIAS... 2ª EDIÇÃO
Nasci em 15.03.1942 na localidade de Sossego, Município de Itaguaçu, hoje pertence ao Município de Itarana, localidade que era conhecida como Figueira de Santa Joana. Isso aconteceu na casa dos meus nonos maternos, porque meu pai estava a serviço do Exército, durante a Segunda Guerra Mundial.
Assim que meu pai retornou, ele nos levou para Várzea Alegre para residirmos junto com os nonos Quinto e Ágata, por pouco tempo. Logo nos mudamos para uma propriedade agrícola situada em Santo Hilário, nas proximidades da Barra do Rio Perdido. Nessa localidade, nossa moradia durou pouco e logo estávamos de volta a Várzea Alegre. O período de moradia em Várzea Alegre foi marcado pela convivência com os tios e os primos – uma infância de muitas e boas recordações, desde o lazer, o carinho recebido dos tios, do Nono Quinto, da Nona Ágata, da Tia Darcisa, dos tios Orlando, Octávio, Estevão, Epifânio, Júlio, Dário e Eugênio; a convivência com os primos Agostinho, Lourdes, Anízio, Zoraide, Ayres, Izabel e Senair – um tempo em que se sente a nostalgia de coisas da vida simples da roça como brincar de carrinhos, pescar e tomar banhos no Riacho Canudo nos poços de águas límpidas formados pela ação das enchentes causadas pelas chuvas antecedidas, quase sempre, por temporais de muitos relâmpagos, trovões e ventanias.
Meu período escolar do curso primário iniciou-se numa escola singular quando completei nove anos. Caminhava-se até o Patrimônio de Várzea Alegre descalço, sentindo a terra seca em brasa naqueles dias ensolarados ou nos lamaçais escorregadios em dias de chuva. Não era raro, a gente derramar acidentalmente aqueles tinteiros onde se molhavam as penas das canetas, tingindo de azul tanto as carteiras quanto as blusas brancas dos uniformes; os meninos com calças azuis marinho e as meninas com saias vermelhas pregueadas.
Esse tempo passou com a lentidão das coisas antigas; com a mudança dos meus tios para outras terras, com a minha partida para o Seminário Seráfico São Francisco de Assis – um internato onde conclui o curso primário e parte do ginasial. Continuei meus estudos, durante um ano no Ginásio Teresense e outro na Escola Técnica Federal do Espírito Santo. Não conclui o curso ginasial porque passei a trabalhar na farmácia que meu pai se associara a João Romélio Zonta, em várzea Alegre. Depois, tornei-me titular desse posto de socorro farmacêutico; perdemos nossa mãe prematuramente em 1960. No ano seguinte casei-me e, em 1962, Domingos nasceu. Nesses tempos difíceis, Edgard nasceu em 1965, ano em que nos mudamos para Fundão para uma curta moradia até 1966. Novamente em Várzea Alegre residimos na nossa antiga propriedade na companhia do Nono Quinto e da Nona Ágata que, um após outro faleceram.
Em 1968 nos mudamos para Colatina, onde fiz concurso para disputar emprego no INPPS, obtendo notas classificatórias para ocupar esse emprego público. Antes de se concretizar minha nomeação, trabalhei por algum tempo como escriturário numa empresa que produzia artefatos de cobre, vendia e instalava radiadores em veículos refrigerados a água. Fiquei por vários meses desempregado, conseguindo emprego numa farmácia até que chegasse minha nomeação em 1969 para assumir emprego no INPS. Um ano após a nomeação já conseguia ocupar uma chefia de serviço no Instituto, concluía o primeiro grau através de um supletivo, na época, chamado “Artigo 99”. Essa conclusão me permitiu matricular-me no Colégio Thelmo Motta Costa, onde concluí o segundo grau profissionalizante como Técnico em Contabilidade em 1973. Prestei vestibular e me matriculei no curso de ciências contábeis, colando grau no final de ano de 1977. Residi em Colatina de 1968 a 1977, ano em que nos despedimos dessa cidade, levando comigo experiências profissionais, experiências de vida, de convivência com vizinhos, com colegas de trabalho, colegas de acadêmicos. Os conhecimentos acrescentados nesta cidade valeram-me enfrentar novos desafios na Capital a partir de 1977, quando finalizo este texto, considerando-o como segunda edição. Outra parte brevemente também será publicada num livro independente, mas integrante da série “Memórias”. Este será o livro “Memórias III – 30 anos em Vila Velha”.

RESUMO DE LIVRO

RESUMO DO LIVRO “A PEDRA DA ONÇA – JAZIDAS, LAVRAS E GARIMPOS NO ESPÍRITO SANTO”Nome da obra:“A Pedra da Onça – Jazidas, lavras e garimpos no Espírito Santo”. Esse nome é, na realidade, um ícone dos garimpos no Estado do Espírito Santo.Sobre o autor:Idomar Taufner.Formação: Ciências Contábeis.Atividades profissionais: Farmacêutico prático, agricultor, funcionário público e docente de contabilidade em escolas de nível superior (FAESA e UVV). Atualmente é aposentado como Auditor da Receita Federal do Brasil.Atividade paralela: Durante 40 anos dedicou-se ao garimpo de pedras preciosas e semipreciosas, adquirindo prática empírica e realizando pesquisas técnicas sobre o assunto. Para esse mister contava com a colaboração de garimpeiros (práticos), trabalhando descontinuamente e de forma absolutamente amadora.Motivação: A história da lavra da Pedra da Onça, descoberta em 1941, motivou o interesse pelo assunto em toda a população da região dos municípios limítrofes de Itarana, Itaguaçu, Santa Teresa e de outros mais distantes.Conseqüências: Com a expressiva quantidade de pedras preciosas encontradas, houve a geração de grandes fortunas para os partícipes desse garimpo; fortunas que trouxeram imediata mudança na vida financeira de muitas famílias dessas localidades e de muitas pessoas vindas de outros estados que levaram consigo a riqueza ali auferida, não deixando nada, nem mesmo notícias de suas participações; alguns, com a mesma facilidade com que adquiriram as fortunas, deixaram que se lhes escapassem das mãos. A grande notícia do evento incomum criou na região central do Espírito Santo, com maior ênfase, um efeito psicológico que resultou em outras grandes descobertas de riquezas de cristais de águas-marinhas, ametistas; quartzo incolor, róseo, enfumaçado, berilos, topázios, andaluzitas, crisoberilo e crisoberilo olho-de-gato, pedra da lua, granadas, brasilianitas, hematitas, piritas, fluoritas, as principais gemas de que se têm notícias, produzidas no solo espírito-santense.As histórias: Desde o litoral dos municípios de Guarapari, Cariacica, Serra, Fundão e Aracruz ao extremo sul, e oeste, incluindo-se os municípios centrais aos dos extremos noroeste e sudoeste, são relatados sob a forma de depoimentos verbais transcritos na obra e boa parte das memórias do próprio autor sobre as suas experiências diretas na atividade garimpeira.Pesquisas Técnicas: Técnicas de garimpagem a céu aberto e através de galerias subterrâneas e de exploração de lençóis aluviais. Dados inerentes às formas cristalinas das gemas, propriedades físicas e composições químicas, as formas da garimpagem, a transformação a que os lapidários dão forma e beleza para que, finalmente, os joalheiros as integrem a metais preciosos na produção de jóias e adornos.Finalmente: Uma parte de curiosidades sobre as gemas como o poder de cura que podem as pedras possuir (o que muitos crêem) e uma vasta simbologia como datas de aniversários de casamentos, anjos, astros, profissões e signos.Cuidados com o meio ambiente: dar proteção aos ecossistemas (florestas, nascentes, rios, solo, lençóis freáticos e paisagens naturais como pedreiras e vales) e recompor danos porventura causados.O livro se encontra à venda na Livraria Logos, em Vitória- ES, ao preço de R$ 30,00 (trinta reais) cada exemplar.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

PESCARIA E OUTRAS COISAS...

Nada melhor que se estar à beira de um rio com um caniço municiado com anzol e minhocas para servirem de iscas. Nesse curso de água em que estávamos havia peixes de espécies diversas como jundiás, traíras, carás, lambaris, moréias e outros. Havia peixes de espécies desconhecidas visíveis no fundo desse rio de águas transparentes, muitos deles aparentando estarem mortos e já em decomposição.
Cada vez que eu lançava o anzol com isca, nem acabava de chegar ao fundo, algum peixe mordia a isca e fazia uma corrida vigorosa; eu puxava e trazia para a tona um jundiá, dois, três... E já não dava para contar todos os peixes fisgados. Havia muitos bagres, carás, traías e piabas. Luiz Pacífico ao passar pelo local lançou seu anzol, como de costume fisgou um piau vermelho, peixe raro nessas águas.
Enquanto nós pescávamos, uma mulher desconhecida entrou no rio e nós lhe pedimos que não continuasse, pois espantaria os peixes, o que prejudicaria nossa pesca. Ela deixou a água prontamente e após alguns minutos voltamos a fisgar mais alguns exemplares. Agora conseguimos apanhar traíras pequenas. Nestes peixes havia um detalhe jamais visto: as traíras exibiam longas barbatanas semelhantes àquelas dos peixes voadores marinhos. Assim continuamos pescando por longas horas...
Depois fui a um local em que se criavam pássaros silvestres. Havia juritis, sabiás, rolinhas e o mais curioso que vi nesse local, além das instalações semelhantes à de uma granja de galinhas, centenas de periquitos “tuim”, propiciando visão inusitada semelhante a uma plantação que exibindo criaturas de coloração verde como se fossem minúsculos papagaios; minúsculos ovos brancos colocados numa série de incubadoras de tal modo que no final de uma fileira delas surgiam pequenos filhotes que ao nascerem ostentavam corpinhos nus, em seguida outros tantos com penugens claras, depois uma remessa ostentava algumas penas verdes, como se estivessem a brotar e finalmente os filhotes já exibiam cobertura de penas verdes por todos os corpos. Havia gaiolas que se empilhavam em carros para se efetuarem entregas nas lojas especializadas na venda de animais domésticos de estimação, rações, gaiolas e outras utilidades (Pet Shops).
Além dos criatórios de aves, visitei uma criação de cães, também num sistema de produção contínua, assim: um plantel de cadelas era assistido por inseminação artificial, veterinários faziam o acompanhamento da prenhez até que parissem seus filhotes. Bem, a partir dessa etapa, a assistência ficava por conta de veterinários dos pequenos até o tempo do desmame. Assim que os caem iniciassem alimentar-se com rações balanceadas apropriadas para filhotes, os animais, nessa fase, eram oferecidos ao público comprador nas casas especializadas.
Nesse sonho eu fiz uma longa viagem pelo mundo animal, desde o aquático, ao das aves e ao dos cães. Eu vi coisas maravilhosas que a natureza oferece; lamentavelmente nós humanos, já divorciados da natureza, contribuímos para que outras espécies, ainda habitando o mundo natural, se tornem coisas produzidas em escala industrial. Será que no futuro também os humanos serão produzidos para atender interesses econômicos, como profissionais para suprir a demanda dessa ou daquela atividade laboral? Seria ético? E sob o aspecto religioso, como seria a visão? Na verdade essas indagações povoaram mais um dos meus sonhos.