domingo, 13 de julho de 2008

CASARÃO DA FAMÍLIA LIMA PEDE SOCORRO


As famílias Lima e Damascena, ambas originárias dos imigrantes lusos brasileiros procedentes de Campos de Goitacazes, Rio de Janeiro, colonizadores pioneiros de glebas de terras chamadas pelos antigos de Sesmarias, tinham como sedes das terras dos Lima, local em que funcionou o comércio de Luiz Lima, casado com Maria Corteletti, pais de Norberto, Oscar, Mário, Geraldo Lima e..., é este casarão localizado a frente da residência de Hilton Corteletti. A sede da sesmaria do patriarca João Damascena era um casarão (creio de tenha sido mais antigo) localizado na sede de nossa propriedade situada
Foto do casarão da família Lima
na barra do riacho “Canudo”; lamentavelmente demolida e apagada sua memória histórica para sempre.
Quando o progresso bate as portas de Várzea Alegre, é natural que a juventude tenha anseios por conhecer fatos históricos dos antepassados, mas com a demolição da sede dos Damascenos e a possibilidade de que também a sede da família dos descendentes de João Lima tenha destino idêntico, me vejo no dever de alertar a quem interessar possa que a destruição de tão importante monumento da memória da colonização de Várzea Alegre, localidade jurisdicionada ao Município de Santa Teresa, PEDE SOCORRO para que esse marco de memória não seja destruído e sepultado definitivamente.
Esse casarão não representa uma construção tosca; é na verdade sólida edificação que, nem todas as agressões sofridas foram capazes de destruí-lo.
Quanto à sede da família Damascena, que representa marco de minhas memórias registradas no livro “Memórias – 2ª edição, eu cuidei de trazer sua imagem existente na minha memória através de um desenho tosco de minha autoria. Assim fiz o resgate de imagem residual, que pessoas antigas poderão testemunhar o valor histórico dessa edificação centenária. Para demonstrar o estado lastimável que um local que há algum tempo deixou-se impregnar por antigas emoções.
Esse casarão, que teria sido construído em fins do IXX ou início do XX foi sede da sesmaria e ponto comercial da família Lima, descendentes de luso brasileiros provenientes de Campos de Goitacazes – RJ.
Várzea Alegre dista 35 quilômetros da Cidade de Santa Teresa, município a que é jurisdicionada. Com a ligação asfáltica em construção estará ligada a Patrimônio de Santo Antônio do Canaã por 17 quilômetros de moderna pista pavimentada. Tal estrada com cobertura asfáltica propiciará, já nos próximos dias, incentivo ao progresso para as localidades servidas, trazendo comodidade e facilidade na escoação de produção agrícola diversificada da região de Várzea Alegre, trazendo economia e agilidade à saída das mercadorias para os centros consumidores.
A rodovia citada acima, exibe a fase final das obras, faltando apenas alguns trechos de meios fios e sinalizações horizontais e verticais para, brevemente, ser inaugurada. Concluída essa via, Várzea Alegre experimentará ciclo de progresso nunca visto. Justamente neste momento o casarão da família Lima corre o risco de desaparecer para sempre. Com este manifesto pessoal lanço a semente para que esse imóvel seja preservado, restaurado e convertido numa casa de cultura ou algo que venha exibir utilidade pública. Se você for alguém descendente dessa família Lima, ou se deseja preservar um patrimônio que pertence a história, ainda é tempo de descruzar os braços, arregaçar as mangas e por mãos à obra. Participe, difundindo esta idéia,

sexta-feira, 11 de julho de 2008

DIA DA VACINA

Vacina sempre foi notícia capaz de tirar o sossego das crianças. Houve época que no Rio de Janeiro aconteceu uma reação popular, tornada famosa como “Guerra da vacina”. Também quando implantada a vacina antigripal gratuita para os idosos, circulou um boato, difundindo notícia de que essa campanha vacinal nada mais era do que uma forma de contaminar e extinguir idosos, como forma de proteção à combalida situação financeira da previdência social. E a notícia se espalhava entre a população de idosos inativos, carentes e desinformados. Muitos evitaram serem vacinados, principalmente alguns residentes na área rural ou nos bairros periféricos.
Mas a atual campanha é dirigida à população de cães e gatos, tanto desses que causam conflitos entre moradores de condomínios, desses bravos que protegem quintais de mansões, de outros mimados pelas madames e crianças, como alguns moradores nas propriedades rurais, que afastam bichos e pessoas intrusos, ou avisam, latindo quando chegam visitas, mesmo as desejadas. Amanheceu frio, nesse dia, e a paisagem estava coberta por uma névoa tão branca quanto algodão. Hoje era um dia sagrado: todos os cães e gatos da fazenda deviam ser vacinados, tanto Mickey quanto Scooby, pois apenas estes eram os animais de estimação existentes; há bastante tempo não se via um só gato por ali.
Chamados os dois cães, Mickey parecia oferecer o pescoço à coleira; Scooby, um autêntico Basset preto, com um par de olhos amarelos salientes, apesar de sua docilidade habitual, nesse dia mostrou-se arredio, não ousando aproximar-se de qualquer pessoa que o chamasse. Nem Aloízio de quem recebia constantes afagos, permitiu que o pegasse, reagindo estranhamente com mordidas e rosnadas. Levados, Mickey pela coleira, Scooby acompanhava à distância. Assim que a equipe de vacinação chegou, embrenhou-se pelo mato, não ousando sequer usar o caminho habitual, ficando, dessa forma desamparado pela cobertura vacinal e sujeito a contrair doenças, especialmente raiva, enfermidade grave que pode ser transmitida a outros animais domésticos, inclusive aos humanos.
Acrescento mais uma observação a respeito do comportamento que torna a espécie canina quase humana, quando vi naquela manhã do dia da vacinação, o comportamento de rejeição a uma simples picada de agulha, que o cãozinho demonstrava apenas por ouvir falar sobre o assunto dias e horas antes da consumação do ato. Vi perfeitamente que Scooby sabia o que significava ser vacinado: demonstrava medo, tornando-se arredio e feroz. Acho até que os cães são capazes de entender nossa linguagem; nós, no entanto, é que somos incapazes de decifrar suas palavras (latidos), mas se observarmos bem, esses animais demonstram expressões emocionais de raiva, de alegria, de medo, de apreensão, de rejeição, de afeição e... Eles são (acredito), as criaturas que mais estão próximas de uma comunicação entre espécies diversas (humanos e caninos). Por enquanto esta espécie animal, talvez seja a mais amada e mais odiada, quando esses sentimentos antagônicos produzem conflitos entre habitantes de moradias verticalizadas, não raro chegarem essas pendengas aos tribunais e isso se torna tendente a números cada vez mais expressivos porque muitas pessoas se tornam dependentes do afeto animal para minimizar os surtos depressivos que a humanidade se vê afetada pela carência afetiva. Com as estatísticas demonstrando fatos e mais fatos, que buscam o Poder Judiciário, não me causará nenhuma estranheza se no futuro forem criadas varas específicas como foro apropriado às ações que envolvam como objeto os caninos.
Mais uma vez me posicionei, estudando o comportamento dos cães, não possuo nenhum exemplar dessa espécie; nem o faria, pelos motivos seguintes: minha moradia não tem acomodações apropriadamente confortáveis para tal convivência; além de mim, teria mais um ser para incomodar vizinhos; não disponho também de tempo para os cuidados para o trato da saúde, da higiene e para a dedicação do afeto que reclamam como seres viventes.
Continuo a condenar o mal estar causado pelos dejetos deixados nas vias de uso comum (praias, calçadões, ruas, elevadores, etc.). Não atribuo essa responsabilidade aos nossos animais amigos. Considero culpados os donos que os permitem emporcalhar nossas áreas de uso comum, que se omitem na manutenção da saúde, contribuindo para a instalação de zoonoses, levando sérios riscos à saúde da população.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

OCORRÊNCIA DE FENÔMEN0OS


Sonho e Realidade
Há um fato que me ocorreu há quarenta e dois anos, me deixando perplexo por todo esse tempo. Não tenho nenhuma explicação para uma visão que tive durante um sonho tornado realidade três meses depois. Se eu não tivesse transmitido a alguém na manhã seguinte, hoje poderia ser considerada uma invenção à cata de notoriedade. O fato mereceu registro no livro “Memórias...”, que brevemente será publicada sua segunda edição. Tal sonho consistiu na visão antecipada de um acontecimento da natureza – uma tempestade descomunal, com chuvas torrenciais e farta queda de granizo, causando graves perdas de plantações e de animais, especialmente bovinos.
Outros sonhos tornados realidade foram constantes em minha existência, mas como não os relatei previamente, de que adiantaria enumerá-los agora? Mas creiam: são vários.
Mas entre tantos sonhos de que não registrei testemunho, menciono um que me impressionou: sonhei que caminhava por uma estrada, onde, no passado de minha infância, tantas vezes passei. A determinada distância, eu vi como se fosse uma mulher de estatura alta, trajando uma veste branca e rendada, mas, na medida em que me aproximei, vi que se tratava de um homem negro de todos conhecido na localidade e que se dedicava à faiscação de minerais preciosos. Depois de acordado tive pressentimentos que me indicavam claramente de que não deveria me aproximar dessa pessoa. Por muitos dias, diante daqueles aconselhamentos presentes no meu consciente, procedi conforme aquela estranha sensação me recomendava. Algum tempo se passou para que um amigo, daqueles que merecem fé na sinceridade, me convidou para me confidenciar ter presenciado aquele indivíduo a fazer-me concretas ameaças à minha integridade física.
Visões anormais
Em 2000, estive internado por mais de um mês no antigo hospital UNIMED/CORAÇÃO, acometido de pancreatite aguda. Certo dia daquela época cai em profundo sono, ocasião que tive a sensação de estar flutuando acima do meu leito e de lá via como se meu corpo fosse uma espécie de tronco claro e sem cor definida, algo que não encontro adjetivos para descrevê-lo. Acordei rodeado de médicos e de paramédicos a me examinar.
Imediatamente após recobrar os sentidos resultantes dos efeitos da anestesia, de uma cirurgia de revascularização do miocárdio, ocorrida em 11 de junho de 2003. Tinha visões nítidas de figuras de pessoas coloridas de vermelho forte e de negro absoluto; via tudo nitidamente, estando acordado e consciente, bastava que fixasse a visão num determinado ponto neutro; não via apenas as imagens; eu as via também em movimento. Cheguei visualizar figuras de antigas revistas em quadrinhos, cujos personagens movimentavam-se como se fossem imagens de algum vídeo. De um dia ao outro essas imagens coloridas foram perdendo a cromática forte, passando de cinza forte a um prateado brilhante e aí desapareceram.
Coisa comum sempre me ocorre quando ouço sons e vozes. Muitas vezes acordei com o som da campainha do nosso apartamento, o mesmo acontecia numa casa onde passávamos temporadas em Santa Teresa. Quando olhava, ninguém havia tocado. Vozes, eu costumo ouvir com freqüência, depois percebo que tal fato não ocorreu. Mas no dia que minha tia Luiz faleceu numa manhã tive a certeza de tê-la ouvido a chamar pelo meu nome.
Quando criança, a gente ia às rezas numa igrejinha dedicada a Santo Antônio. Nessas ocasiões eu costumava fixar as vistas no piso de ladrilhos decorados e, depois, de alguns segundos me parecia que aquelas imagens migravam para um plano superior e me davam a nítida idéia de que se movimentassem.
Numa manhã recente, fixei minhas vistas num plafon existente no teto de nosso dormitório; parecia que se movimentasse a semelhança daquele movimento que parece a lua fazer quando as nuvens são compelidas a se deslocarem pela ação do vento.
Mais estranho ainda é quando vejo repentinamente vultos de pessoas se deslocando pelo interior de nosso apartamento. Num desses eventos, estávamos na sala de casa apenas minha esposa e eu. Inconformado pela aparente visão, eu conferi todas as dependências e me certifiquei de que ninguém mais se encontrava em casa naquele momento.
Falando com minha filha a respeito dessas visões consideradas “virtuais”, ela me disse que isto é sintoma de alucinação. Afinal que tipo de alucinação eu estaria sendo vítima?
Sei que sou leigo nessas coisas, mas quanto ao fato ocorrido após a cessação dos efeitos de anestésicos, acredito mesmo que seja fruto de alucinação, mas quanto aos sonhos, audição de sons e de vozes e da percepção de movimentos de objetos estáticos, a ciência teria explicações?
Mesmo correndo o risco do descrédito e da demonstração de minha falta de conhecimento do assunto, Imagino que neurônios funcionem como gravadores de sons, de imagens estáticas e dinâmicas. Seja lá por normalidade, defeito ou anomalias, esses fenômenos poderiam ser fruto do descarregamento de “arquivos” da massa encefálica?
De qualquer modo, espero que pessoas conhecedoras dos assuntos abordados, comentem a vontade. A curiosidade é que me move a escrever sobre essa matéria.

sábado, 14 de junho de 2008

GRANDE GOLPE?



Parecia estar numa grande casa na propriedade de Hilton Corteletti, em Várzea Alegre, onde se realizava reunião para aderir a um plano de vida com aplicações financeiras. Muitos dos presentes aderiram e eu mesmo fiz um investimento inicial de mais de oito mil reais, cujo total seria de aproximadamente doze mil, assim que totalmente integralizado. Outras pessoas faziam fila para depositar suas participações num local que deveria ser uma tesouraria. Ali havia um entra e sai de pessoas e numa grande sala, uma espécie de auditório. Várias pessoas compunham uma mesa se revezando em explicações e mais orientações aos futuros candidatos a fazerem parte de um grupo que, independendo de carência já estariam, a partir do momento da adesão, cobertos por seguros de vida, de acidentes pessoais, também no caso de insolvência financeira da entidade patrocinadora de tal programa de vida, que compreendia, depois de um período de doze meses, renda mensal vitalícia de um centésimo por um do capital investido, creditados mensalmente e resgatáveis a partir do quinto ano em percentuais de 10% por ano da aplicação, até que fossem alcançados 100%%, ou ao final de 15 anos, o resgate do saldo residual total. No ato da adesão eram subtraídos 30% para resgatar prêmios de seguros, promoverem sorteios e despesas administrativas destinadas ao pagamento do pessoal e de custos diversos.
Um senhor, com aparência de executivo financeiro, explicava minuciosamente os mecanismos de como o capital investido retornaria e a renda poderia ainda alcançar melhores resultados com o crescimento das participações de novos adeptos. Dessa forma cada um dos aplicadores funcionava como agenciador para que a corrente se fortalecesse. Quanto mais adeptos, a capitalização se tornaria mais rentável. Não havia dúvidas, se possuísse mais recursos financeiros não havia, mesmo, melhor opção para atingir ganhos cada vez mais expressivos. Assim ocorreu durante todo esse dia, mas a tarde se aproximava fizeram avisos para que aquela multidão de pessoas que lotava além do grande salão, todos os espaços disponíveis daquela e de outras ruas próximas, se abstivessem de permanecer na pista asfáltica de rodovia que estava a ser pavimentada para que um grande avião pudesse aterrissar, a fim de reconduzir toda a comitiva à Capital, local em que a campanha continuaria no salão do segundo andar do Edifício Presidente Vargas, na Praça Costa Pereira; vago agora depois da transferência do CREV Metropolitano para Jardim América num imóvel cedido pela Cia. Vale do Rio Doce. Antes que o avião pousasse na pista asfáltica da rodovia, o presidente da campanha fazia, ainda, aviso de que, a partir da manhã seguinte estaria atendendo no endereço mencionado, na Cidade de Vitória.
Ouvimos o ronco das turbinas de grande avião, roçando asas nas copas de árvores e palmeiras centenárias existentes na localidade, fazendo da exígua pista asfáltica da rodovia um campo de pouso improvisado. Toda a comitiva embarcou e a aeronave decolou rumo a Capital. No dia seguinte muitos de nós estaríamos em Vitória para aplicar mais recursos, visando, ainda, a melhoria das possíveis rendas, isso por que todos almejavam melhores condições de vida e de renda, garantindo melhores dias no futuro.
Cuidamos de retornar a casa, pois devíamos examinar saldos bancários para aumentar os investimentos, pelo menos eu deveria fazer o pagamento de mais quatro mil reais, totalizando minhas aplicações, se mais recursos disponíveis não tivesse para melhorar minha performance nesses ativos.
Viajamos, retornando à Grande Vitória, examinamos nossos saldos bancários; nada além do que já nos havíamos comprometido seria possível. Tínhamos recursos que nos bastavam para honrar o compromisso assumido e as despesas mensais ainda não efetivadas.
Comparecemos ao Edifício Presidente Vargas, onde, no passado, funcionara a sede do IAPI, o Hotel Canaã e no térreo agências de viagens aéreas de companhias como a VARIG e a TRANSBRASIL, conferindo ao local o fino da aristocracia, com presenças obrigatórias de parlamentares e de outras autoridades da República quando visitavam a Capital do Estado. Depois de uma noite de reflexão toda aquela retórica do grupo que captava recursos para tal plano de vida já não nos parecia tão atraente e correto sob o ponto de vista estatístico e atuarial, pois dinheiro bem aplicado gera rendas, mas a ponto de garantir seguros generosos e igualmente receitas vitalícias, nos parecia tratar-se de falácia.
Isso foi o que percebemos hoje, quando a turma do plano recitava jargões decorados, que não exprimiam axiomas econômicos válidos. Havia coisa parecida e as garantias não eram claramente elucidativas, de modo que representassem segurança. Um ar de desconfiança começou a rondar o meu íntimo de investidor. Aqui havia algo diferente: profissionais das áreas econômicas e do direito questionavam e os argumentos, podia-se notar, não tinham consistência como aquela que sentíramos no dia anterior.
Não tive disposição para liquidar o restante de minha proposta, embora dispusesse dos recursos em espécie. Arrependimento era o sentimento que me assolava, mas devia examinar o contrato e a legislação com prudência. De acordo com a legislação que protege o consumidor existem prazos para o desfazimento do negócio; seria interessante me entender com alguém entendido no assunto e isso é coisa que não nos falta na família: temos mestre e acadêmico de direito, tornando-se urgente consultar essas pessoas.
Nem aguardei o final da reunião deste dia e já me retirava quando fui abordado por aquele indivíduo que liderava o grupo. Ele me pedia informações cadastrais e falava ter percebido que eu havia perdido o entusiasmo pelo negócio e acrescentava que é comum às pessoas quando estão próximas de ganhos sentirem dúvidas e se deixarem-se levar por desânimos passageiros que podem frustrar projetos, resultando em perdas e deixando de participar de ganhos certos; depois o arrependimento pode chegar tarde. Mas não havia nada mais que me convencesse; agora era uma questão de pedir o resgate dos valores já investidos, mesmo que para isso, sofresse algum deságio costumeiro nas liquidações antecipadas.
Embora nada mais funcionasse no Edifício Presidente Vargas, havia presença de muitos colegas do antigo INPS, do INAMPS, outros do IAPAS e alguns colegas de Anésia, quando serviu ali como funcionária cedida ao Ministério da Saúde e ao Estado. Estávamos reunidos com esses colegas na sobreloja, quando foi percebido que uma laje do prédio ameaçava desabar, resultando em pânico generalizado, dispersando todo o pessoal que se encontrava presente: investidores, idealizadores do negócio e curiosos, como é costumeiro.
De qualquer forma, percebi hoje, ainda pela manhã, de que não tenho nada a pedir ressarcimento e nem compromissos a saldar. Nem todo aquele pessoal que povoou minha mente durante essa noite. Mesmo sabendo que isso nada mais foi do que uma das fantasias que me ocorrem durante madrugadas, às vezes noites inteiras.


segunda-feira, 9 de junho de 2008

TOTALMENTE ENCURRALADO


Tinha certa importância a receber de um indivíduo extremamente perigoso; ele era cercado por seguranças, na realidade, bandidos comparsas de organizada quadrilha. Felizmente maior parte de meus créditos já havia recebido, restavam ainda sem pagamento apenas pouco mais de vinte mil reais. Felizmente não era vocábulo apropriado para a encrenca que ainda viria acontecer: viajei a Fundão, cidade distante cerca de 50 quilômetros da Capital, com a intenção de recolher o restante dos meus créditos. Não sabia, mas o pior ainda estaria por acontecer.
Hospedei-me no único hotel da cidade e guardei meu carro, um “Opala” de cor negra, numa vaga de estacionamento disponibilizada pela casa. Fui ao encontro daquele indivíduo a quem eu emprestara o dinheiro. Atendeu-me e marcou para que eu voltasse com hora certa agendada. Enquanto isso podia ver espalhados por toda a cidade, homens trajados com ternos pretos, com “riscas de giz”, chapéus tipo gangsteres americanos, gravatas italianas, sapatos reluzentes. Eu já sabia que esses indivíduos, assim vestidos, faziam parte do bando do facínora de quem eu era credor de alguns reais; entretanto poderiam ser vistos, pela semelhança, com dançarinos de tango argentinos. Mas havia outros parecidos com evangélicos tradicionais (pastores, pregadores ou apenas membros), pois exibiam ternos escuros em tonalidades esmaecidas. Estes seriam meliantes travestidos de cristãos?
Em hora marcada compareci ao local previamente acordado. Vi o homem com quem tinha encontro marcado; ele se vestia à semelhança dos demais membros do grupo e veio até onde eu o aguardava conduzido numa cadeira de rodas. Interessante que até eu me vestia com roupa negra e a cidade era tomada por penumbra de claridade escassa. Assim que atendido, economizando palavras, o devedor me entregou envelope de cujo conteúdo eu não conheci, não tive sequer coragem de colocar o objeto dentro de uma maleta, noutros tempos conhecida como “007” ou “Executiva”. Enfiei tal envelope no bolso, pois abrir a maleta seria uma temeridade já que eu era vigiado por todos os lados, e esses seguranças ou bandidos eram do tipo mal encarado, fazendo qualquer ser racional morrer de medo.
Eu percebia e ouvia planos ameaçadores a que eu estava sujeito, via que não teria como sair vivo dessa cidade, pois constantemente era abordado por algum deles, indagando-me qual era meu carro, qual o horário que pretendia retornar a casa; um dos tais fez-me ameaça de agressão com um pedaço de madeira, simulando atacar-me como fazem os indígenas, como se a madeira fosse um “tacape”, talvez uma “borduna”. O ambiente se tornava a cada momento mais hostil para mim. Eu tinha necessidade premente de sair dessa cidade, mas se o fizesse por meios normais, o risco de sofrer violência era iminente. Mas como sair? Mudar roupa diferente? Descaracterizar minha aparência, colocando peruca, bigodes, barba longa? Travestir-me de mulher? Será que isso seria possível na cidade de Fundão? Os amigos que tive nessa cidade, muitos se mudaram para outras cidades e estados, alguns já passaram para outra dimensão e outros já se encontram como eu, ostentando as mazelas da vida senil. E agora?
Enquanto, tomado de ansiedade, indaguei a um desses ameaçadores indivíduos, onde encontraria um mictório público e ele me indicou local em deveria seguir por corredor mal iluminado e empurrar uma porta em que havia a seguinte inscrição: “WC masculino”. Empurrei-a e, para minha surpresa, havia ali um cambista tomando apostas para o “Jogo do bicho”. Esse agenciador zoológico, antes que lhe dirigisse qualquer palavra, sentenciava: o jogo está encerrado por hoje, mas posso tomar apostas para o dia de amanhã! Simplesmente arranquei do bolso uma nota de “vinte paus” e pedi-lhe para anotar tal quantia no grupo do galo. Francamente não tenho hábito de jogar, nem sei a que número se refere tal ave nesse jogo, mas o cambista anotou simultânea e visivelmente o número “4” em cada um dos quatro blocos, pegou meu dinheiro e sequer me entregou as “pules” correspondentes (com certeza uma jogatina honesta?). Bem nesse momento, apesar de tomado de pavor, imaginei: para interpretar a qual bicho correspondente a dezena final de uma centena, toma-se o número do grupo e multiplica-se por quatro. Bom o grupo anotado nas pules era quatro. Multiplicando-se esse número por quatro, resultariam 16. Assim as terminações das dezenas 16, 15, 14 e 13, tinham como significado o bicho cujo número corresponde ao grupo quatro, mas qual seria o bicho? Eu havia pedido que anotasse o número do grupo do galo. Fazendo novamente regressão das dezenas, restaria a dezena 13, que realmente corresponde ao grupo do bicho galo.
Não achei mictório e continuava apossado de terror, ante as ameaças concretas que sofria, mas numa fração de segundo desvencilhei-me de tudo e pude ir ao banheiro. Já acordado, as ameaças à minha integridade continuavam presentes na memória, tamanha a intensidade que representaram durante essa madrugada.
Vila Velha, 09 de junho de 2008.

sábado, 7 de junho de 2008

COMENTÁRIO SOBRE REPORTAGEM

“MISTÉRIO EM MONTANHA”
Publicado na página 14 de A TRIBUNA – VITÓRIA – ES DOMINGO - 01.06.2008– REGIONAL (contém foto de Fabrício Ribeiro)
Reportando-me ao artigo acima, onde se vê numa montanha de formação granítica rochosa foto que destaca a abertura de uma caverna, exibindo três sólidos que fazem da imaginação de gente simples de áreas rurais, vastos comentários fantasiosos sobre coisas que os conduzem a imaginarem existências mirabolantes e encantadas, criando e aumentando o clima de algo inexplicável na região da localidade de “Misterioso”, Distrito de Santa Júlia e Município de São Roque do Canaã, especialmente quando se referem à gruta existente num dos rochedos que afloram na região.
Minha intenção não é desmistificar o ar de mistério do fato que torna assunto notório na região, nem tenho autoridade para tal. Cada pessoa que vê a imagem da entrada de tal caverna exibida no rochedo fantasia a seu bel prazer. Há os que vêm nos sólidos incrustados na caverna como se fossem “carneiros encantados”, outras espécies de animais e que no interior da gruta exista uma panela de ouro. Julgam alguns que os animais teriam a incumbência de fazer vigilância à imagem de uma santa. Também essa gruta seria uma passagem para o outro mundo e a imaginação não pára por aí: há quem veja luzes e objetos de fogo na região e os comentários se ampliam sucessivamente.
Porém diante de um fato físico concreto, imagino algumas explicações: as galerias em rochedos são coisa comum. Algumas nada mais são do que bolhas de gases, quando a massa ígnea ainda não resfriada, se rompiam na superfície de rochas metamórficas, originando cavernas concoidais e vazias, mas esta como outras que tive oportunidade de presenciar durante décadas que cuidei de atividade amadorística no garimpo de pedras preciosas, me leva a fazer comentários, procurando explicar certos fenômenos naturais. A abertura desta galeria faz-me imaginar diante dos sinais de fraturas que formam uma figura de polígono irregular na abertura, misturando-se sinais lineares e outros apenas ligeiramente curvos e na base da abertura existem três sólidos, peças que me remetem vê-las à distância e reproduzidas apenas por imagem fotográfica como se fossem blocos de quartzo em estado amorfo, parcialmente cristalinos e blocos de feldspato, quer sejam quartzo ou feldspato deve ser parte da extremidade de formação pegmatítica restante de um veio cujas outras partes como massa argilosa, óxidos, micas, caulim, fragmentos de quartzo ou até de gemas foram expelidos ou arrastados por processo erosivo. Quanto à possível existência de coisas preciosas é algo que não se pode descartar, porque nesses pegmatitos existentes nas entranhas dos rochedos existem inúmeros relatos de terem sido descobertos minerais preciosos em abundância, tais como quartzo de rocha límpido, ametistas, quartzo citrino, quartzo morion, águas-marinhas, topázios, crisoberilos, piritas (ouro de tolo), fluoritas, brasilianitas e outros minerais, muitos dos quais de valor gemológico precioso. Pode ser, caso este rochedo tenha produzidos gemas, que ainda estejam guardadas no seu interior ou expelidos e depositadas em camadas aluviais no fundo dos vales adjacentes.
Outro fato que tem explicação científica é a fluorescência, propriedade que algumas substâncias têm com o estímulo de ondas de luz UV (ultravioleta) a capacidade de emitir luz. Assim, quando pessoas relatam ter visto bolas luminosas ou de fogo, o fato pode ser explicado como verdadeiro: gases exalados de minerais em cuja propriedade física exista a fluorescência, podem exalar bolhas luminosas cuja duração se estende ao tempo de duração dos estímulos luminosos. Se porventura eu não tivesse experiência própria sobre esse tipo de visão, por certo não creria nessas afirmativas. O fato realmente existe e onde há a possibilidade da existência de minerais preciosos é fato concreto.
Contudo não deve o leitor interpretar que minha opinião da possível existência de jazidas de minerais preciosos nesses locais sirva de estímulo à destruição de rochedos de valor paisagístico e histórico de uma região, de muitas que são capazes ainda de produzir gemas preciosas como o que é sobejamente citado no livro de minha autoria: “A Pedra da Onça – Jazidas, lavras e garimpos no Espírito Santo”.